Câncer Infanto-Juvenil

Setembro Dourado: Câncer Infanto-Juvenil é a Principal Causa de Morte Infantil no Brasil

Campanha destaca importância do diagnóstico precoce, avanços científicos e papel fundamental dos pais na identificação dos sintomas.

Por Redação Brazil Health , 06/09/2025

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Setembro Dourado: Câncer Infanto-Juvenil é a Principal Causa de Morte Infantil no Brasil

O câncer infanto-juvenil é atualmente a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que mais de 7 mil novos casos sejam registrados anualmente no país entre pacientes de 0 a 19 anos, ao longo do triênio 2023-2025. Nesta faixa etária, os tumores costumam apresentar características distintas das que afetam adultos, destacando a importância de campanhas como o Setembro Dourado para promover informação e conscientização.

Sidnei Epelman, líder nacional de oncopediatria da Oncoclínicas, afirma que o diagnóstico precoce pode garantir taxas de cura superiores a 80%. “Precisamos de atenção especial porque esses cânceres, embora sejam mais agressivos devido ao rápido crescimento das células, também respondem melhor aos tratamentos. As chances de recuperação são grandes, mas dependem de pais e responsáveis estarem atentos aos sintomas”, alerta.

Entre os tipos mais comuns de cânceres infantis estão leucemias, linfomas, neuroblastomas, tumores no sistema nervoso central e tumores renais, como o de Wilms. Enquanto agentes ambientais têm papel de risco bem estabelecido nos adultos, nas crianças os fatores genéticos ou eventuais malformações têm impacto mais relevante. Por isso, identificar alterações como manchas nos olhos, caroços pelo corpo ou mudanças inexplicáveis na saúde pode ser decisivo para o diagnóstico.

Avanços no tratamento e diagnóstico

Nos últimos anos, a oncologia pediátrica tem se beneficiado de inovações em engenharia genética, terapias-alvo e imunoterapia, ampliando as chances de cura e reduzindo efeitos colaterais dos tratamentos tradicionais. “Com o conhecimento gerado pelas pesquisas científicas, conseguimos hoje desenvolver terapias que atingem mutações específicas dos tumores. Isso eleva muito a eficácia do tratamento”, explica Epelman.

O oncologista reforça ainda que exames específicos podem ajudar na detecção de alguns tumores em crianças predispostas, especialmente na presença de síndromes genéticas ou alterações anatômicas. Entre eles, destacam-se o exame de ultrassom, ressonância magnética e exames genéticos realizados em laboratórios preparados para a oncologia pediátrica.

Tipos de câncer infantil mais frequentes no Brasil

  • leucemia: representa de 25% a 35% dos tumores infantis, acometendo a medula óssea e outros órgãos.
  • tumor do cérebro e sistema nervoso central: cerca de 20% dos casos, é o segundo mais comum nessa faixa etária.
  • linfomas: incidem principalmente nos linfonodos e tecidos linfáticos, respondendo juntos por 13% dos cânceres infantis (não Hodgkin e Hodgkin).
  • neuroblastoma: responsável por 8% dos casos, ocorre principalmente em bebês e lactentes.
  • tumor de Wilms: afeta o rim de crianças de até 4 anos, equivalendo a 7% dos tumores infantis.
  • sarcomas: atingem ossos e partes moles, correspondendo a cerca de 5% dos casos.
  • retinoblastoma: tumor ocular, geralmente diagnosticado antes dos 6 anos, representa cerca de 2% dos casos.

Segundo o INCA, a conscientização e o conhecimento dos sinais são fundamentais para que crianças e adolescentes recebam diagnóstico precoce e tenham acesso às inovações terapêuticas disponíveis, aumentando as chances de cura e qualidade de vida durante o tratamento.