Câncer de Rim

Nova combinação dobra tempo sem avanço do câncer de rim avançado

Pesquisa internacional indica melhora no controle do tumor e reforça atenção a dor, sono e bem-estar desde o início do tratamento

Por Redação Brazil Health , 17/12/2025

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Nova combinação dobra tempo sem avanço do câncer de rim avançado

Uma terapia combinada com cabozantinibe e nivolumabe mostrou dobrar o tempo sem progressão do câncer de rim em pacientes com doença avançada ou com metástase que ainda não haviam sido tratados. No estudo clínico de fase 3 CheckMate 9ER, a combinação alcançou 16,4 meses sem avanço do tumor, ante 8,3 meses com o padrão de tratamento.

O carcinoma de células renais, tipo mais frequente do câncer de rim, costuma evoluir em silêncio e muitas vezes é descoberto tardiamente. No Brasil, o Ministério da Saúde estima mais de 10 mil novos casos por ano, o que torna a eficácia e a manutenção da qualidade de vida pilares do cuidado.

Qualidade de vida no centro do cuidado

Uma análise adicional do CheckMate 9ER associou sintomas que surgem logo no início do tratamento, como dor óssea e distúrbios do sono, a pior qualidade de vida. Para Luciana Holtz, fundadora do Instituto Oncoguia, o recado é claro: “O câncer de rim pode chegar sem aviso. Quando os sinais aparecem, o impacto já é grande. O cuidado precisa ir além do tumor e incluir o bem-estar físico e emocional em todas as fases”.

Um estudo qualitativo do Oncoguia com pacientes em tratamento na saúde suplementar apontou falta de informação como barreira recorrente. “Desinformação atrasa decisões e aumenta o medo. Quando o paciente é acolhido e bem orientado, a adesão melhora”, diz Luciana. Segundo ela, identificar cedo os sintomas que mais pesam no dia a dia “permite agir mais rápido e com decisões mais assertivas”.

Sinais e fatores de risco

O câncer de rim é duas vezes mais comum em homens e tem pico entre 60 e 70 anos. De acordo com o oncologista Fábio Schutz, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a doença costuma resultar da soma de fatores. “Diabetes, obesidade, hipertensão, tabagismo e doença renal crônica estão entre os principais riscos”, afirma. Muitas vezes, o tumor é achado por acaso em exames de rotina solicitados por outros motivos.

Entre os sinais que merecem atenção, especialistas citam:

  • Dor lombar persistente
  • Sangue na urina
  • Perda de peso sem explicação
  • Cansaço constante
  • Dor nos ossos e falta de ar, em quadros mais avançados

Como não há exame de rastreamento recomendado para a população geral, a detecção precoce segue desafiadora. Metástases podem atingir principalmente pulmões, além de ossos e fígado, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e avaliação rápida diante de novos sintomas.

Tratamento e equipe multidisciplinar

O tratamento depende do estágio. Quando o tumor está restrito ao rim, a cirurgia é a primeira escolha, com preservação parcial do órgão sempre que possível. Em casos selecionados, técnicas menos invasivas, como ablação por radiofrequência ou crioterapia, podem ser indicadas. Na doença metastática, terapias sistêmicas — que incluem remédios orais antiangiogênicos e imunoterapia — têm papel central.

Para Schutz, a integração de diferentes especialidades faz diferença nos resultados. “A atuação conjunta de oncologistas, urologistas, radioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais organiza o cuidado e oferece suporte integral ao paciente”, destaca.

Os achados do CheckMate 9ER e das análises sobre qualidade de vida apontam para um caminho de cuidado mais personalizado. “Dar voz aos pacientes e monitorar sintomas desde o início melhora decisões e experiência de tratamento”, conclui Luciana Holtz.