Câncer de Próstata

Câncer de próstata deve dobrar até 2040; especialistas pedem diagnóstico precoce

Relatório internacional prevê 2,9 milhões de casos no mundo. No Brasil, 47 homens morrem por dia; campanha Novembro Azul reforça exames regulares a partir dos 50 anos ou antes, se houver histórico familiar.

Por Redação Brazil Health , 07/11/2025

4 min de leitura

Câncer de próstata deve dobrar até 2040; especialistas pedem diagnóstico precoce

O mundo deve assistir a um salto nos diagnósticos de câncer de próstata até 2040: a Comissão de Câncer de Próstata da revista Lancet estima que os casos praticamente dobrem, alcançando 2,9 milhões, um aumento de 85%. No Brasil, 17.093 homens morreram pela doença em 2023 — média de 47 óbitos por dia.

Diante do cenário, a Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo reforça a campanha Novembro Azul, com ênfase em consultas regulares e exames. “Não cabe mais piadas que diminuam a vida do homem. Precisamos avançar e colocar a prevenção no centro”, afirma o urologista Dr. Wagner Eduardo Matheus, presidente da SBU-SP.

Segundo o Inca, o país deve registrar 71.730 novos casos em 2024, o equivalente a 196 por dia. Um em cada dez homens terá a doença ao longo da vida e, apesar dos avanços, cerca de 25% ainda morrem por causa dela. Especialistas recomendam iniciar o acompanhamento aos 50 anos — ou aos 45 quando há histórico familiar.

Crescimento acelerado e atraso no diagnóstico

O estudo atribui o aumento à maior longevidade e ao diagnóstico tardio, mais frequente em países de baixa e média renda. Os autores alertam que mudanças de estilo de vida, sozinhas, não conterão a curva e pedem estratégias públicas para diagnóstico e tratamento em tempo hábil.

Dados do SUS mostram a dimensão do problema: entre 2019 e agosto de 2024, foram realizadas mais de 47 mil cirurgias oncológicas para retirada da próstata e tecidos adjacentes. O volume revela demanda crescente por estruturas de diagnóstico e terapias.

Quatro frentes para conter o avanço

A comissão da Lancet propõe um pacote de ações: redesenhar a rota do diagnóstico para ampliar a detecção precoce, com rastreamento organizado entre 50 e 70 anos (a partir dos 45 para homens negros) e uso de ressonância magnética e vigilância ativa quando indicado; incorporar inteligência artificial no suporte às biópsias, especialmente onde faltam especialistas.

Também recomenda ampliar o acesso à cirurgia e radioterapia, hoje limitados em muitos países, e acelerar pesquisas com modelos regulatórios que considerem perfis de risco e desigualdades. “Esperar os sintomas aparecerem pode diminuir as chances de cura”, reforça Dr. Matheus.

Tratamentos menos invasivos ganham espaço

No campo cirúrgico, a prostatectomia robótica vem crescendo. “A técnica reduz perda de sangue, acelera a recuperação e ajuda a preservar a função sexual e o controle urinário”, destaca o Dr. Mauricio Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.

Em casos selecionados, terapias focais — como HIFU (ultrassom de alta intensidade) e crioterapia, que congela o tumor — permitem tratar apenas a área doente, com potencial de menos efeitos colaterais. Essas abordagens já são usadas em diversos países; no Brasil, a regulamentação pelo CFM ainda está em discussão.

Na fase inicial, quando as chances de cura são altas, o câncer de próstata geralmente não causa sintomas. Por isso, a orientação é não esperar sinais para procurar o urologista. Em estágios avançados, podem surgir:

  • Sangue na urina ou no sêmen
  • Urinar muitas vezes, inclusive à noite
  • Jato fraco ou interrompido
  • Dificuldade de ereção
  • Dor nos ossos ou no baixo ventre

Comportamentos também pesam: pesquisa da SBU em 2023 mostrou que apenas 32% dos homens acima de 40 anos se dizem muito preocupados com a própria saúde, e 46% só vão ao médico quando sentem algo — índice que sobe para 58% entre usuários exclusivos do SUS. Entre os 60+, a adesão a exames semestrais ou anuais é maior, de 78%.

Especialistas reforçam que informação, rastreamento bem organizado e acesso a tratamento oportuno são as chaves para reduzir mortes. Novembro Azul é um lembrete anual, mas o cuidado deve durar o ano inteiro.