Câncer de Pele

Exames com lupa e mapeamento do corpo antecipam diagnóstico do câncer de pele

Dermatologista explica como exames simples reduzem biópsias e aumentam as chances de cura ao detectar mudanças sutis nas pintas

Por Redação Brazil Health , 25/12/2025

3 min de leitura

Exames com lupa e mapeamento do corpo antecipam diagnóstico do câncer de pele

O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil e, apesar de o melanoma ser menos comum, é o mais agressivo quando diagnosticado tardiamente. Em debate no 78º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, no Rio de Janeiro, o tema ganhou destaque com a defesa do uso da dermatoscopia e do mapeamento corporal total na rotina clínica.

“A dermatoscopia é um exame simples, rápido e não invasivo, realizado em consultório médico”, afirma o dermatologista Carlos Barcaui, professor titular de Dermatologia da UERJ e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Segundo ele, o aparelho amplia estruturas invisíveis a olho nu e “aumenta em até 15 vezes a precisão diagnóstica em relação ao exame clínico tradicional”.

Como funcionam os exames

A dermatoscopia ajuda a diferenciar pintas e manchas benignas das que podem ser malignas, permitindo a detecção precoce do melanoma. Já o mapeamento corporal total fotografa toda a pele e registra imagens detalhadas de pintas selecionadas para comparação ao longo do tempo.

“O mapeamento corporal traz benefícios importantes na prevenção do melanoma”, diz Barcaui. Entre os ganhos estão o diagnóstico precoce, mais segurança no acompanhamento de quem tem muitas pintas ou histórico familiar e a redução de biópsias desnecessárias.

Além da tecnologia, a avaliação clínica continua essencial. “Apesar de todos esses avanços, a avaliação clínica continua sendo fundamental”, reforça o especialista. Ele lembra a regra do ABCDE — Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro maior que 6 mm e Evolução — e o “Sinal do Patinho Feio”, quando uma pinta destoa das demais do próprio corpo e merece investigação.

Quem deve ficar mais atento

Pessoas com maior risco se beneficiam especialmente do acompanhamento com dermatoscopia e mapeamento corporal. Entre elas:

  • Quem tem mais de 50 pintas comuns ou mais de 5 atípicas
  • Indivíduos com histórico pessoal ou familiar de melanoma
  • Portadores de síndromes genéticas associadas ao câncer de pele
  • Imunossuprimidos, como transplantados em uso de medicação contínua
  • Pessoas de pele, olhos ou cabelos claros, que se queimam com facilidade
  • Quem teve exposição solar intensa e intermitente na infância e adolescência

Tecnologia e IA a favor da pele

Softwares já comparam imagens de consultas diferentes e ajudam a identificar mudanças sutis. Há também o mapeamento corporal em 3D, ainda indisponível no Brasil, e o apoio da inteligência artificial para apontar padrões suspeitos — sempre como auxílio ao olhar do especialista.

“A dermatoscopia e o mapeamento corporal são, portanto, aliados indispensáveis na luta contra o câncer de pele”, resume Barcaui. Para ele, as ferramentas dão mais segurança ao médico e ao paciente, com acompanhamento preciso e menos procedimentos invasivos quando não há risco.

O movimento é reforçado internacionalmente. “Vale ressaltar ainda que a Organização Mundial da Saúde deu um passo histórico ao reconhecer a saúde da pele como prioridade global de saúde pública”, pontua o dermatologista, defendendo a ampliação do acesso a esses exames para que mais pessoas sejam beneficiadas pelo diagnóstico precoce.