Câncer de Pele

Câncer de pele é o mais comum no Brasil; sol é o principal risco

No Dia Mundial do Câncer, especialistas reforçam sinais de alerta, grupos de risco e formas de prevenção para reduzir diagnósticos tardios.

Por Redação Brazil Health , 05/02/2026

3 min de leitura

Câncer de pele é o mais comum no Brasil; sol é o principal risco

O câncer de pele permanece como o tipo mais frequente no país e responde por cerca de 30% de todos os tumores malignos, segundo o Inca. A alta exposição ao sol, aliada a fatores individuais, mantém a doença entre as principais preocupações de saúde pública, especialmente em regiões de intensa radiação.

Para o dermatologista Eduardo H.K. Oliveira, especialista em oncologia cutânea e cirurgia dermatológica, a radiação ultravioleta continua sendo o principal gatilho. “Os raios UVA penetram profundamente na pele e provocam dano cumulativo, acelerando o envelhecimento cutâneo, enquanto os UVB são responsáveis pelas queimaduras solares e pelas alterações diretas no DNA celular”, afirma.

Risco vai além do sol

Além da exposição à radiação ultravioleta, também são considerados fatores de risco a predisposição genética, pele e olhos claros, histórico familiar de melanoma e a presença de pintas atípicas. A imunossupressão, seja provocada por doenças ou pelo uso de medicamentos, como ocorre em pessoas transplantadas, eleva de forma significativa a probabilidade de desenvolvimento de tumores de pele.

Outros agentes também elevam o risco, como radiação ionizante, infecções crônicas por certos tipos de HPV em mucosas e processos inflamatórios persistentes. Cicatrizes de queimaduras antigas, úlceras venosas crônicas e dermatoses inflamatórias podem criar um ambiente favorável a alterações celulares.

Entre os fatores modificáveis, destacam-se a exposição solar intensa e intermitente, queimaduras na infância e o uso de câmaras de bronzeamento artificial, proibidas no Brasil.

Diagnóstico precoce

Identificar sinais suspeitos cedo melhora o prognóstico. Uma orientação prática é a regra ABCDE do melanoma, que incentiva observar:

  • Assimetria
  • Bordas irregulares
  • Cores variadas
  • Diâmetro maior que 6 mm
  • Evolução – mudanças recentes na lesão

Também merecem atenção feridas que não cicatrizam em 4–6 semanas, alterações em pintas conhecidas, coceira, sangramento, nódulos de crescimento rápido e lesões peroladas com vasinhos.

A periodicidade do acompanhamento varia conforme o risco. Em geral, pessoas sem fatores de risco devem fazer autoexame mensal e consulta anual. Quem tem histórico familiar de melanoma, pintas atípicas ou usa imunossupressores precisa de seguimento mais frequente, muitas vezes com mapeamento corporal por dermatoscopia digital.

Tratamento e prevenção

O tratamento depende do tipo e estágio do tumor. Nos carcinomas basocelular e espinocelular iniciais, a retirada cirúrgica com margens adequadas segue como padrão, com altas taxas de cura. Em casos com maior risco de recorrência, a cirurgia micrográfica de Mohs permite analisar as margens durante o procedimento, aumentando a precisão e preservando tecido saudável.

No melanoma, terapias sistêmicas avançaram nos últimos anos. A imunoterapia e as terapias-alvo para mutações específicas melhoraram o controle da doença em casos avançados, ampliando as opções terapêuticas.

Ainda assim, a prevenção é decisiva: proteção solar diária, roupas e chapéus, óculos com filtro, evitar exposição nos horários de pico e atenção aos sinais na pele. “Quando falamos em câncer de pele, informação e vigilância são tão importantes quanto a tecnologia. Diagnóstico precoce e acompanhamento regular fazem toda a diferença”, conclui Oliveira.