Câncer de Pele

Câncer de Pele Basocelular Tem Alta Cura, mas Recorrência Exige Acompanhamento Contínuo

Mais de 60% dos pacientes podem desenvolver novos tumores do tipo basocelular em uma década, reforçando a importância do acompanhamento médico regular.

Por Redação Brazil Health , 29/08/2025

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Câncer de Pele Basocelular Tem Alta Cura, mas Recorrência Exige Acompanhamento Contínuo

O câncer de pele não melanoma, subtipo mais comum entre os brasileiros, traz altos índices de cura — mas também exige atenção mesmo após o tratamento. Dados recentes mostram que seis em cada dez pessoas diagnosticadas com carcinoma basocelular, como o da atriz Fernanda Rodrigues, podem ter um novo tumor do mesmo tipo em até dez anos após a primeira ocorrência.

O alerta é reforçado por estudos internacionais e especialistas nacionais. De acordo com o relatório do National Comprehensive Cancer Network (NCCN), publicado em 2025, esse risco de recidiva cresce ainda mais se o paciente já teve mais de um tumor de pele. “Uma vez identificado um câncer de pele, é sinal de que a pele já acumulou danos ao DNA celular, geralmente ligados à exposição ao sol”, explica Matheus Lobo, coordenador de Neoplasias da Pele da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

Segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele é disparado o mais frequente no Brasil, com previsão de 220.490 novos casos de não melanoma em 2025. O carcinoma basocelular responde por 80% dessas ocorrências, afetando especialmente pessoas a partir de meia-idade e idosos.

O surgimento de novos tumores é mais comum em homens, que apresentam risco 160% maior de desenvolver outro câncer de pele em comparação com as mulheres, como apontou um estudo espanhol que acompanhou quase 5 mil pacientes. Entre os principais fatores envolvidos na recorrência estão:

  • exposição intensa ao sol, especialmente na infância, sem a proteção adequada;
  • tumores iniciais maiores que dois centímetros;
  • casos em que o tumor chega a invadir nervos ou tecidos internos além da pele;
  • histórico de múltiplos diagnósticos anteriores de câncer de pele.

Por causa da alta chance de recidiva, a SBCO recomenda que pacientes que já trataram o carcinoma basocelular retornem ao médico a cada 6 a 12 meses para exames de rotina, enquanto nos casos de carcinoma espinocelular (outro tipo comum) as visitas podem ser ainda mais frequentes. O diagnóstico costuma ser feito por dermatologistas, por meio do exame clínico e, se necessário, biópsia.

A prevenção continua sendo o melhor caminho: evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar protetor solar diariamente, roupas adequadas e bonés ou chapéus, além de atenção redobrada para quem tem histórico familiar, trabalha ao ar livre ou apresenta baixa imunidade.

No caso da doença, o tratamento varia conforme o estágio e o tamanho do tumor. “A cirurgia é, na maioria das vezes, suficiente e pouco invasiva, especialmente quando o diagnóstico é precoce. Para casos avançados ou de recidiva, técnicas cirúrgicas especializadas são indicadas, além de radioterapia ou, eventualmente, terapias alvo e imunoterapia”, afirma Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da SBCO.

A principal mensagem dos especialistas é clara: manter o acompanhamento médico após o diagnóstico inicial e redobrar os cuidados diários com a pele são essenciais para garantir qualidade de vida e evitar novas recorrências do câncer de pele basocelular.