Câncer de Bexiga

Biópsia Líquida com ctDNA Guia Imunoterapia após Cirurgia de Câncer de Bexiga

Pesquisa de fase 3 apresentada no ESMO 2025 e publicada no New England aponta quem deve tratar e quem pode só observar

Por Redação Brazil Health , 28/10/2025

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Biópsia Líquida com ctDNA Guia Imunoterapia após Cirurgia de Câncer de Bexiga

Um simples exame de sangue pode ajudar médicos a decidir, com mais precisão, quem precisa receber imunoterapia após a cirurgia de câncer de bexiga e quem pode apenas ser acompanhado. A conclusão é de um estudo internacional de fase 3, apresentado no Congresso Europeu de Oncologia (ESMO 2025), em Berlim, e publicado no The New England Journal of Medicine, com coautoria do oncologista brasileiro Dr. Ariel Kann, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O câncer de bexiga é o nono mais frequente no mundo e atinge mais homens do que mulheres. O tabagismo é o principal fator de risco. Mesmo após a remoção da bexiga, parte dos pacientes volta a ter doença, o que torna crucial acertar a indicação de terapias complementares.

Como funciona o teste

Chamado de biópsia líquida, o exame busca fragmentos de DNA do tumor que circulam no sangue (ctDNA). Quando esse material é detectado após a cirurgia, há sinais de doença residual microscópica. “Hoje a decisão pós-operatória se apoia em critérios clínicos e imagens que nem sempre captam o retorno do tumor cedo o suficiente”, afirma o Dr. Ariel Kann. Segundo ele, o ctDNA antecipa em média 100 dias o reaparecimento da doença em relação aos exames de imagem, abrindo uma janela para intervir mais cedo.

O que o estudo mostrou

No ensaio IMvigor011, 761 pacientes operados foram acompanhados. Entre os 250 com ctDNA positivo, metade recebeu atezolizumabe (imunoterapia) e metade, placebo. O tratamento reduziu em 36% o risco de recidiva ou morte e em 41% o risco de óbito, na comparação com o placebo. Já os pacientes que permaneceram com ctDNA negativo seguiram apenas em observação e ficaram livres da doença em 95% após um ano e em 88% após dois anos, evitando terapias desnecessárias e seus efeitos colaterais.

“É uma das evidências mais consistentes de que o ctDNA pode orientar o cuidado de forma personalizada: trata quem precisa e poupa quem não precisa”, resume o oncologista. Para ele, o resultado inaugura uma nova fase no manejo do câncer de bexiga e reforça a medicina de precisão na prática.

O que muda para o paciente

Além de antecipar a detecção de recidiva, a estratégia pode reduzir custos e toxicidade ao evitar imunoterapias de alto preço em quem tem baixo risco. Apesar do avanço, o Dr. Kann pondera que a aplicação ampla do exame ainda depende de ampliar o acesso e validar a ferramenta em diferentes realidades de saúde, para além dos grandes centros oncológicos.

O pesquisador destaca que a abordagem baseada em ctDNA já é estudada em outros tumores, como pulmão, intestino e mama, e tende a transformar o acompanhamento após a cirurgia nessas especialidades. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz participou do estudo, e a coautoria no artigo do New England reforça o papel da instituição brasileira na produção científica em oncologia de precisão.