Câncer Colorretal

Mais de 60% dos casos de câncer de intestino no Brasil são detectados tarde

Fundação do Câncer aponta atraso no diagnóstico; médico explica sinais e exames que salvam vidas

Por Redação Brazil Health , 02/12/2025

3 min de leitura

Mais de 60% dos casos de câncer de intestino no Brasil são detectados tarde

Um levantamento da Fundação do Câncer analisou 177 mil registros entre 2013 e 2022 e concluiu: mais de 60% dos casos de câncer colorretal no Brasil são diagnosticados em fases avançadas. Metade dos pacientes chega ao sistema de saúde com a doença já espalhada para outros órgãos, e 25% estão no estágio 3.

“Estamos vendo muita gente chegar tarde porque ainda testamos pouco e muitos evitam os exames preventivos”, afirma o cirurgião do aparelho digestivo e oncológico Lucas Nacif. Segundo ele, o estágio 1 é quando o tumor ainda está restrito à parede do intestino; no estágio 4, já há metástase, geralmente em fígado ou pulmões.

O estudo mostra que 85,9% dos diagnósticos ocorrem em pessoas com 50 anos ou mais. Mas a tendência preocupa também entre os mais jovens: um relatório de 2024 da Sociedade Americana do Câncer indica aumento rápido de casos nas faixas dos 20, 30 e 40 anos.

Sinais de alerta

O câncer de intestino costuma começar em pólipos, pequenas lesões que podem sofrer mutações e virar tumores ao longo dos anos. “Pode se desenvolver por muito tempo sem sintomas. Quando aparecem, incluem mudança no hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada”, diz Nacif.

Riscos e prevenção

Entre os fatores ligados ao maior risco, o médico cita dieta pobre em frutas e verduras, consumo frequente de carnes vermelhas e processadas, álcool, tabagismo e uso regular de certos anti-inflamatórios. Histórico familiar também pesa. “Não há uma causa única, mas sabemos que muitos tumores surgem de alterações genéticas em pólipos”, explica.

Estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e atividade física, ajuda a reduzir o risco. Para quem tem parentes de primeiro grau com a doença, a vigilância deve ser antecipada e orientada por um especialista.

Exames que salvam vidas

O diagnóstico precoce depende de rastreamento. “Duas estratégias centrais são a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia ou retossigmoidoscopia”, detalha o cirurgião. Esses exames permitem flagrar e retirar pólipos antes de virarem câncer, além de detectar tumores no início.

Quando o tumor é encontrado cedo, as chances de cura superam 90%, reforça Nacif. “Não ignore sinais suspeitos e busque avaliação médica”, recomenda.

Tratamento varia conforme o estágio

Na maioria dos casos, a primeira linha é a cirurgia para retirar o trecho do intestino afetado. Em fases mais avançadas, quimioterapia e radioterapia podem ser indicadas para reduzir o tumor, controlar a doença e aliviar sintomas.

Para o especialista, a mensagem central é clara: fazer exames periódicos, especialmente em quem tem antecedentes familiares e, para a população geral, iniciar a conversa sobre rastreamento a partir dos 40 anos. “A prevenção sempre será o melhor remédio”, conclui.