Canabidiol

O Que a Ciência Diz Sobre Tratamentos Com Canabidiol: Mitos, Verdades e Recomendações

Especialista da Unicamp explica em quais situações o canabidiol é realmente eficaz e alerta para o risco do uso indiscriminado.

Por Redação Brazil Health , 03/10/2025

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O Que a Ciência Diz Sobre Tratamentos Com Canabidiol: Mitos, Verdades e Recomendações

O uso do canabidiol (CBD), composto extraído da planta cannabis, tem se tornado cada vez mais comum no Brasil, especialmente após relatos de benefícios para distúrbios neurológicos. No entanto, as aplicações, benefícios e limites do tratamento ainda geram dúvidas e controvérsias tanto entre os profissionais de saúde quanto entre pacientes.

Segundo o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é fundamental ter cautela. “Esses produtos podem auxiliar, especialmente quando as medicações tradicionais não trazem bons resultados, mas a prescrição de canabidiol jamais deve substituir tratamentos já consagrados, e sim ser cuidadosamente avaliada”, sinaliza.

A principal promessa do canabidiol é para o controle de epilepsias que resistem a outros tratamentos, e há estudos robustos mostrando que o CBD pode reduzir – e até eliminar – crises em casos como síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut, principalmente em crianças e jovens. “A aplicação do canabidiol nesse cenário é a mais estudada e respaldada pela ciência atualmente”, destaca o Dr. Valadares.

Por outro lado, o uso do CBD para dores crônicas intensas, como fibromialgia ou dores provocadas por câncer, ainda carece de provas científicas suficientes. Revisões internacionais apontam que, nesses casos, além do efeito limitado, podem surgir efeitos colaterais como sonolência, tontura e alterações psiquiátricas. “Para dores oncológicas e fibromialgia, as evidências não se mostram conclusivas. Por isso, não recomendamos como primeira escolha”, reforça o neurocirurgião.

Em relação ao Alzheimer, o cenário é semelhante: estudos existentes ainda não apresentam benefícios comprovados do canabidiol para tratar sintomas, reverter ou estabilizar a doença. Entidades como a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia também se posicionam contra o uso indiscriminado nessas condições.

Para o transtorno do espectro autista (TEA), o canabidiol é considerado uma alternativa interessante, mas apenas em situações específicas. O composto não age sobre os sintomas principais do autismo, mas pode ser útil para controlar crises convulsivas associadas, ansiedade, depressão e transtornos de atenção que podem acompanhar esses casos.

No caso da esclerose múltipla, o canabidiol, junto com o THC (outro composto da cannabis), é usado para combater a rigidez muscular dolorosa, conhecida como espasticidade, principalmente quando os tratamentos convencionais falham. Vale lembrar que a combinação é indicada apenas para esse sintoma específico, e não para tratar a doença como um todo.

Apesar da popularidade do CBD, existem mais de 60 compostos chamados canabinoides na cannabis, incluindo o THC, responsável pelos efeitos psicoativos. Enquanto o CBD não causa dependência ou alterações mentais, o THC também apresenta potencial terapêutico, sobretudo no controle da espasticidade muscular.

O Dr. Valadares alerta para a importância do acompanhamento médico. “Prescrever derivados da cannabis exige responsabilidade, diálogo franco com o paciente e atualização contínua sobre as evidências científicas. Os avanços são valiosos, mas falsas esperanças podem trazer ainda mais sofrimento”, conclui.