Cachorro

Lambeijo do cachorro faz mal? Entenda os riscos e como se proteger

Especialista do CEUB explica por que deixar o pet lamber o rosto pode transmitir micróbios e orienta como reduzir riscos sem prejudicar o vínculo com o animal

Por Redação Brazil Health , 13/11/2025

3 min de leitura

Lambeijo do cachorro faz mal? Entenda os riscos e como se proteger

O “beijo” do cachorro pode parecer um gesto de carinho, mas não é tão inofensivo. A professora Fabiana Volkweis, do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), alerta que a prática deve ser evitada, mesmo em animais com vacinas em dia.

Segundo a veterinária, a lambida é um comportamento social herdado dos ancestrais. “É uma forma de interação que remete ao convívio em matilha, onde o gesto representa respeito e vínculo”, explica. O problema está no contato com a boca e o nariz do tutor.

“A boca do cão é porta de entrada para vírus, bactérias, fungos e protozoários”, afirma Volkweis. O animal usa a língua para se higienizar, inclusive em áreas íntimas e feridas, além de lamber poças e superfícies sujas — o que favorece a presença de microrganismos na saliva.

As vacinas são essenciais, mas têm alvo específico. “Elas protegem contra doenças virais determinadas, mas não impedem o contato com parasitas intestinais, bactérias e protozoários que podem ser transmitidos pela saliva”, diz a docente.

O que pode pegar com o “lambeijo”

Entre as infecções possíveis estão bactérias, fungos, verminoses e protozoários. Um exemplo é a giardíase, que causa diarreia, dor abdominal e vômitos. “O cão pode lamber o próprio ânus após defecar e, em seguida, lamber o tutor, transmitindo parasitas e outros agentes patogênicos”, alerta a especialista.

O risco é maior para crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa, que podem desenvolver quadros mais intensos ou prolongados após a exposição.

Higiene do pet reduz riscos

Para prevenir problemas, a rotina de cuidados é fundamental. A escovação dental, de preferência diária, reduz o acúmulo de bactérias e previne doenças na boca do animal. “As placas bacterianas podem liberar bactérias na corrente sanguínea, afetando coração, rins e outros órgãos”, aponta Volkweis.

Ela recomenda observar sinais como mau hálito, gengiva inflamada e perda dentária, buscando avaliação de um veterinário especializado em odontologia quando necessário. Manter água potável disponível e evitar que o cão beba em poças também ajuda.

A vermifugação deve ser feita conforme orientação profissional. “Ela elimina parasitas presentes, mas não impede novas infecções. Por isso, o acompanhamento veterinário é indispensável”, reforça a docente do CEUB.

Como dizer “eu te amo” sem lambidas

Se o pet insiste nas lambidas, a dica é redirecionar o comportamento. Ignorar o gesto e oferecer carinho, brincadeiras e comandos com recompensa ensinam novas formas de demonstrar afeto. “Com o tempo, o cão aprende que o amor do tutor não depende da lambedura”, conclui Volkweis.

Na prática, vale manter o contato próximo com o animal, mas longe do rosto. Assim, o vínculo segue forte — e muito mais seguro para todos.