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Botox e novos anticorpos mudam o jogo contra a enxaqueca crônica

Botox e anticorpos de laboratório avançam no controle da enxaqueca crônica. Médico explica como funcionam, quem se beneficia e por que o tema vai além das redes sociais.

Por Redação Brazil Health , 23/12/2025

3 min de leitura

Botox e novos anticorpos mudam o jogo contra a enxaqueca crônica

Popularizada por celebridades, a aplicação de botox para enxaqueca está longe de ser novidade. “A enxaqueca é uma condição neurológica complexa, que vai além da ‘dor de cabeça forte’”, afirma o neurologista Marcelo Zalli, professor titular de neurologia na Universidade do Vale do Itajaí.

Quando as crises se tornam frequentes e incapacitantes, a prevenção entra em cena. “O tratamento preventivo é recomendado quando a frequência das crises aumenta, quando a dor se torna incapacitante ou quando o uso de analgésicos se torna excessivo”, explica Zalli.

Como funciona o protocolo com botox

O uso de botox para enxaqueca crônica foi aprovado em 2010, com base no protocolo PREEMPT, que orienta aplicações a cada 12 semanas em pontos específicos da cabeça e do pescoço. “Essas aplicações ajudam a reduzir a frequência e intensidade das crises, melhoram a qualidade de vida e reduzem o uso de medicamentos analgésicos”, diz o médico. A dose pode ser ajustada conforme as áreas de dor predominante.

A vez dos anticorpos monoclonais

As terapias mais recentes incluem anticorpos monoclonais que miram o CGRP, substância ligada ao desencadeamento da dor da enxaqueca. “Essas moléculas bloqueiam a ação do CGRP, um peptídeo que participa diretamente do mecanismo da dor migranosa”, explica Zalli. Entre as opções estão erenumabe, galcanezumabe, fremanezumabe e eptinezumabe, com aplicações mensais ou trimestrais e boa tolerabilidade — especialmente úteis em casos refratários.

Combinação, custos e acesso

Para quadros difíceis de controlar, a combinação de botox com anticorpos monoclonais vem sendo estudada. “Há um movimento crescente na comunidade médica para estudar a combinação da toxina botulínica com anticorpos monoclonais”, afirma o especialista. Ele acrescenta que elevar a dose do botox para 200 unidades pode ajudar quem respondeu parcialmente ao esquema tradicional.

O custo ainda é um obstáculo. “Embora eficazes, esses tratamentos têm custo elevado e ainda não são amplamente cobertos pelos sistemas públicos ou planos de saúde”, pondera Zalli. Por isso, o acompanhamento é essencial: “A avaliação criteriosa do neurologista é essencial para indicar corretamente o tratamento, acompanhar os efeitos e ajustar a conduta.”

Com a enxurrada de conteúdos nas redes sociais, a recomendação é buscar informação de qualidade. “Não é moda — é medicina baseada em evidência”, conclui o neurologista, que orienta discutir critérios diagnósticos, histórico de tratamento e custos antes de qualquer decisão.