AVC

AVC Pode Ser Evitado em 9 de cada 10 Casos com Controle da Hipertensão e Estilo de Vida

Controlar a pressão, parar de fumar e tratar arritmias reduz drasticamente o risco. Reconhecimento rápido e acesso a tratamento diminuem sequelas.

Por Redação Brazil Health , 27/10/2025

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AVC Pode Ser Evitado em 9 de cada 10 Casos com Controle da Hipertensão e Estilo de Vida

O acidente vascular cerebral, o AVC — popularmente chamado de derrame — continua entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Mas a maioria dos casos não precisaria acontecer. Segundo o neurocirurgião Hugo Doria, do Hospital Santa Catarina - Paulista, cerca de 90% dos episódios estão ligados a fatores de risco que podem ser prevenidos ou controlados.

“Controlar a pressão arterial é, sem dúvida, o fator mais importante e, ainda assim, o mais negligenciado”, afirma Doria, MD, PhD. “A hipertensão é silenciosa, mas responde muito bem ao tratamento quando há adesão e acompanhamento médico. É o passo mais eficaz para evitar o AVC.”

Risco escondido no coração e nos vasos

Entre os gatilhos mais comuns está a fibrilação atrial, arritmia que favorece a formação de coágulos capazes de obstruir vasos do cérebro, levando ao AVC isquêmico. “O uso de anticoagulantes, quando indicado, reduz expressivamente o risco”, explica o médico.

No AVC hemorrágico, que ocorre por ruptura de vasos, doenças cerebrovasculares silenciosas, como aneurismas e malformações, podem estar por trás do problema. “Essas lesões podem ser diagnosticadas antes de uma ruptura. Assim como o check-up cardiológico, é essencial realizar o check-up neurológico com o neurocirurgião vascular”, orienta.

A falta de controle após o primeiro evento aumenta a chance de repetição. “Quem abandona o tratamento da hipertensão, deixa o diabetes descompensado ou continua fumando tem risco muito maior de sofrer um novo AVC”, alerta o especialista.

Sinais que exigem ação imediata

Identificar o derrame rapidamente é decisivo. Sorriso torto, fraqueza súbita em um lado do corpo e fala enrolada ou confusa são sinais clássicos. “Existe uma frase que repito sempre: tempo é cérebro. Cada minuto de atraso representa a perda de milhões de neurônios”, reforça Doria.

A recomendação é ligar para o SAMU (192) na primeira suspeita e informar o horário de início dos sintomas, dado que orienta terapias como a trombólise e, em casos selecionados, a trombectomia, que podem reduzir sequelas quando feitas na janela adequada.

  • Sorriso torto
  • Fraqueza em um braço ou perna
  • Fala difícil ou incompreensível

Embora o risco aumente com a idade, o AVC também tem atingido adultos mais jovens. Crescimento da obesidade, do sedentarismo e o uso de drogas ilícitas ajudam a antecipar a doença.

Prevenção e acesso salvam vidas

Para o neurocirurgião, investir em prevenção traz o maior impacto. “Cerca de 90% dos AVCs poderiam ser evitados com políticas públicas consistentes de controle da pressão arterial, de arritmias e incentivo à atividade física. Saber identificar sinais, agir rápido e realizar acompanhamento regular mudam a trajetória de quem poderia ser mais uma vítima”, afirma.

Ele destaca a necessidade de ampliar o acesso a centros capazes de realizar trombólise e trombectomia dentro da janela ideal. “O Brasil tem ilhas de excelência, mas ainda há desigualdade no acesso. Muitos pacientes chegam tarde demais ao hospital”, diz o coordenador do Departamento de Neurocirurgia Vascular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Reabilitação e recuperação

Com atendimento rápido e reabilitação multiprofissional — fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento neuropsicológico — é possível recuperar funções e autonomia. “O cérebro tem uma capacidade de adaptação impressionante, especialmente nos primeiros meses após o evento”, explica Doria.

“O que realmente muda a história do paciente é o diagnóstico e o tratamento preventivo das doenças cerebrovasculares, a rapidez no atendimento agudo quando o AVC está acontecendo e o comprometimento com a reabilitação no pós-AVC”, conclui.