Automedicação mascara doenças e pode causar intoxicação, alerta médico
Remédios lideram casos de intoxicação no Brasil; especialistas pedem cautela com anti-inflamatórios, antibióticos e vitaminas sem orientação
Por Redação Brazil Health , 02/12/2025
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Tomar remédio por conta própria segue como hábito frequente no país e pode trazer riscos reais à saúde. Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas indicam que, em 2017, os medicamentos foram o principal agente de intoxicação no Brasil, respondendo por 27% dos casos registrados.
Para o clínico geral Thiago Piccirillo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, não existe remédio “inofensivo” quando usado sem avaliação. “A automedicação cria uma impressão de controle, como se bastasse conhecer os sintomas para decidir o que tomar. Na verdade, cada organismo reage de um jeito e até remédios populares podem causar danos importantes quando usados sem avaliação médica”, afirma.
O primeiro passo para tratar corretamente qualquer sintoma é confirmar o diagnóstico. Sem essa etapa, o paciente corre o risco de adiar a busca por ajuda, piorar o quadro e ainda sofrer efeitos colaterais ou interações perigosas com outros medicamentos em uso.
Por que o hábito preocupa
Anti-inflamatórios, além de aliviarem dor, podem elevar a pressão, irritar o estômago e sobrecarregar rins. Antibióticos usados de forma inadequada alimentam a resistência bacteriana, um problema de saúde pública que dificulta o tratamento de infecções. Analgésicos comuns podem provocar alergias, intoxicação e danos ao fígado. Já vitaminas e suplementos, quando tomados sem necessidade comprovada, desequilibram o metabolismo.
“O perigo da automedicação não está apenas na escolha errada do remédio, mas no fato de que o paciente pode mascarar sintomas de condições mais graves. Muitas vezes, o alívio momentâneo adia o diagnóstico e compromete o tratamento”, explica Dr. Piccirillo.
O que as pessoas mais tomam por conta própria
- Analgésicos e antitérmicos: para dor e febre do dia a dia.
- Anti-inflamatórios: buscados para dor muscular e inflamações.
- Antibióticos: frequentemente usados de forma equivocada em viroses.
- Antialérgicos: podem camuflar sinais importantes de outras doenças.
- Vitaminas e suplementos: consumo sem exame ou indicação pode fazer mal.
O risco aumenta em grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e quem usa múltiplos remédios. Nestes casos, a chance de interação e eventos adversos é maior e exige acompanhamento profissional.
Quando procurar ajuda
Dor que não passa, febre por mais de 48 horas, falta de ar, reações alérgicas, vômitos persistentes, sangue nas fezes ou urina e piora do estado geral são sinais de alerta. Nessas situações, a recomendação é interromper a automedicação e buscar atendimento.
“Em caso de dor persistente, febre prolongada, reações alérgicas, dificuldade respiratória ou qualquer sintoma que gere dúvida, o ideal é buscar atendimento médico para garantir segurança e tratamento adequado”, conclui o especialista.