Autismo

Em Outubro CAA Dá Voz e Autonomia a Pessoas com Autismo e Desmistifica Mitos

Campanha de outubro destaca ferramentas que reduzem frustrações e não atrasam a fala.

Por Redação Brazil Health , 26/10/2025

3 min de leitura

Em Outubro CAA Dá Voz e Autonomia a Pessoas com Autismo e Desmistifica Mitos

Outubro marca a conscientização sobre recursos de comunicação alternativa, que ajudam quem tem dificuldade de falar — como muitas crianças no espectro do autismo — a se expressar com clareza e autonomia.

Essas ferramentas reúnem estratégias e tecnologias para substituir ou complementar a fala. Podem envolver figuras, símbolos, gestos, pranchas de comunicação e aplicativos com voz sintetizada, sempre ajustados à necessidade de cada pessoa.

“A fala é apenas um dos meios de atingir a linguagem e, inclusive, um dos mais complexos. A CAA surge para permitir que a pessoa seja compreendida, garantindo que ela consiga se comunicar e interagir com o mundo à sua volta”, explica a fonoaudióloga Mayla Monteiro, supervisora do Grupo ABAcadabra.

Autonomia que reduz frustrações

No autismo, a comunicação alternativa tem resultados comprovados. Cerca de 30% das crianças podem não desenvolver fala funcional, mas isso não as impede de se comunicar. “Quando a criança é estimulada desde cedo a se comunicar, seja por símbolos, imagens, gestos ou tecnologia, ela entende que é capaz de se expressar e ser compreendida. Isso reduz frustrações e ajuda a evitar comportamentos interferentes”, diz a especialista.

Segundo Mayla, o uso desses recursos não bloqueia a fala. “A CAA não impede o desenvolvimento da fala. Pelo contrário, ela abre caminhos para que a comunicação aconteça.”

No Grupo ABAcadabra, a implementação se baseia em palavras de alta frequência do dia a dia, que facilitam a construção de frases e pensamentos. “Quando damos voz a uma criança, mesmo que por meio de símbolos, estamos garantindo que ela possa expressar vontades, sentimentos e necessidades. Isso muda a vida dela e da família”, afirma.

Como aplicar no dia a dia

Com orientação de fonoaudiólogos, familiares e educadores aprendem a inserir a comunicação alternativa na rotina, em situações reais, como pedir algo, contar como foi o dia ou fazer escolhas. A prática constante em casa e na escola potencializa os resultados.

O acesso também é mais amplo do que se imagina: há recursos gratuitos em formato digital e materiais impressos simples, o que torna a estratégia viável para diferentes perfis de famílias.

Mitos que precisam cair

Apesar dos avanços, ainda há desinformação sobre o tema. Especialistas esclarecem os principais equívocos:

  • “A comunicação alternativa atrasa a fala” — Falso. Estudos indicam que estimula a linguagem e pode até facilitar o surgimento da fala.
  • “Só quem nunca vai falar deve usar” — Falso. É indicada para qualquer pessoa com dificuldade de se comunicar, inclusive temporária.
  • “É muito difícil” — Falso. Com acompanhamento, família e profissionais usam o sistema de forma natural no cotidiano.
  • “É só para crianças” — Falso. Adolescentes e adultos também se beneficiam, especialmente em condições que afetem a fala.
  • “É sempre caro” — Falso. Há opções gratuitas e materiais impressos acessíveis.

Ao garantir meios diversos de se expressar, a comunicação alternativa amplia a participação social e o direito à palavra. Para Mayla Monteiro, dar voz é sinônimo de inclusão e cidadania.