Ausência Paterna

Ausência Paterna Afeta Desenvolvimento Infantil e Relações Futuras, Aponta CEJAM

A ausência do pai é cada vez mais comum no Brasil e afeta o desenvolvimento, a saúde mental e a autoestima de crianças, além de impactar toda a dinâmica familiar.

Por Redação Brazil Health , 28/08/2025

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Ausência Paterna Afeta Desenvolvimento Infantil e Relações Futuras, Aponta CEJAM

A ausência do pai na vida das crianças brasileiras se tornou uma realidade preocupante e com reflexos diretos no desenvolvimento emocional dos pequenos. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) mostram que, entre janeiro de 2016 e abril de 2025, mais de 1,4 milhão de crianças nasceram no país sem o nome do pai no registro. Só nos quatro primeiros meses de 2025, foram mais de 65 mil novos registros apenas com o nome materno, correspondendo a 6,3% dos nascimentos desse período.

Não se trata apenas de estatísticas frias. Especialistas alertam que a ausência paterna, seja por afastamento, divórcio ou abandono, seja pela falta de envolvimento emocional, traz consequências reais à infância. “A falta do pai pode contribuir para sentimentos de abandono, baixa autoestima, insegurança, além de quadros de ansiedade e depressão, especialmente na adolescência”, explica a psiquiatra Carla Vieira, do CAPS Infantojuvenil II M’Boi Mirim, gerenciado pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Importância do vínculo paterno

Crianças que convivem com pais afetivos e participativos tendem a ser mais seguras, sociáveis e apresentar melhor desempenho escolar. “A presença do pai nas atividades cotidianas, como dar banho, brincar ou ouvir o filho, fortalece a autoestima e a capacidade de resiliência, preparando para construir relações saudáveis na vida adulta”, completa a especialista.

Paternidade ativa beneficia toda a família

O envolvimento do pai gera impactos positivos também na saúde mental da mãe. “Pais que participam desde a gestação reduzem a sobrecarga materna e o risco de depressão pós-parto, criando vínculos familiares mais sólidos”, destaca Carla Vieira.

Apesar de avanços, ainda existem barreiras para a paternidade ativa no país. “A visão tradicional de masculinidade, que associa o homem ao papel exclusivo de provedor, junto da escassez de políticas públicas como licença-paternidade estendida, dificulta o engajamento dos pais no cuidado dos filhos”, ressalta.

A saúde mental paterna também precisa de atenção. Pais emocionalmente equilibrados são essenciais para criar um ambiente familiar saudável, sendo mais empáticos e pacientes com os filhos.

Contudo, vínculos de qualidade com mães, avós e outros cuidadores também podem suprir a falta do pai. “O fundamental não é o papel social, mas a qualidade do vínculo afetivo”, reforça a psiquiatra.

Para quem deseja uma aproximação maior com os filhos, a dica é assumir pequenas tarefas diárias e investir em momentos únicos e afetivos. “O vínculo não depende de perfeição, mas de compromisso e afeto. Mesmo com pais separados, o contato de qualidade e a participação ativa fazem toda diferença no desenvolvimento da criança”, finaliza Carla Vieira.