Artrose

Artrose: o que funciona de verdade e o que é mito contra a dor nas juntas

Reumatologista explica por que suplementos não curam e quando exercícios, infiltrações, cirurgia robótica e prótese realmente ajudam

Por Redação Brazil Health , 29/12/2025

3 min de leitura

Artrose: o que funciona de verdade e o que é mito contra a dor nas juntas

Entre promessas de cura rápida e modismos caros, uma mensagem direta: há tratamentos que funcionam — e outros que pouco ajudam. “A artrose é uma doença crônica e progressiva que vai muito além do simples ‘desgaste natural’ das articulações”, afirma a reumatologista Thaysa Simões Paixão Passalini, doutora pela FMUSP.

Segundo a especialista, o primeiro passo é separar mitos de evidências. “A decisão de usar qualquer suplemento deve ser sempre discutida com o médico.”

O que cai por terra: suplementos e modismos

Produtos como glucosamina, condroitina e colágeno tipo II são populares, mas a médica aponta que a literatura científica não confirma os benefícios proclamados. “A maioria das pesquisas robustas […] não encontrou evidências científicas consistentes de que esses suplementos sejam capazes de regenerar a cartilagem ou proporcionar alívio da dor clinicamente relevante”, diz.

Para Passalini, a prioridade deve estar em medidas com respaldo sólido. “Os tratamentos conservadores formam a base do manejo da artrose.”

O que realmente ajuda no dia a dia

  • Fisioterapia e exercícios de baixo impacto: fortalecem a musculatura, aumentam a flexibilidade e reduzem a carga nas articulações. Caminhada e natação são boas opções.
  • Controle de peso: reduzir quilos extras alivia significativamente a pressão sobre joelhos e quadris.
  • Medicações: analgésicos e anti-inflamatórios podem controlar dor e inflamação, sempre com orientação médica.
  • Infiltrações: corticosteroides ou ácido hialurônico podem ser indicados em casos selecionados.

Quando operar: artroscopia, robô e prótese

A artroscopia, técnica minimamente invasiva, tem indicações específicas — como remoção de fragmentos ou “limpeza” articular. “A artroscopia não cura a artrose nem regenera cartilagem”, reforça a reumatologista.

Já a cirurgia robótica tem ganhado espaço nas artroplastias (cirurgias de prótese), auxiliando o cirurgião com mapas tridimensionais da articulação e maior precisão no posicionamento dos componentes. “O robô é uma ferramenta de alta precisão controlada pelo cirurgião.”

Nos casos avançados, quando a dor é intensa e persiste apesar do tratamento conservador, a prótese pode ser indicada. “Quando bem indicada e em mãos de bons cirurgiões, [a artroplastia] costuma ser bem-sucedida, proporcionando alívio dramático da dor e restauração da função.”

Sinais de alerta: quando buscar avaliação

  • Dor persistente que piora com o movimento
  • Rigidez matinal ou após períodos de inatividade
  • Inchaço e sensibilidade nas articulações
  • Crepitação (rangidos) ao movimentar
  • Perda progressiva de amplitude de movimento
  • Dificuldade nas atividades do dia a dia

O diagnóstico e o plano de cuidado devem ser personalizados, com acompanhamento especializado. Como resume Passalini, “com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e manter uma vida ativa e plena”.