Antibióticos

Uso errado de antibióticos impulsiona superbactérias e ameaça tratamentos

Na Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Antimicrobiana, especialistas pedem uso responsável de remédios contra infecções e reforço nas ações de prevenção

Por Redação Brazil Health , 16/11/2025

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Uso errado de antibióticos impulsiona superbactérias e ameaça tratamentos

O consumo inadequado de antibióticos está acelerando o surgimento de superbactérias e colocando em risco tratamentos que salvam vidas. O alerta ganha força entre 18 e 24 de novembro, durante a campanha global da Organização Mundial da Saúde dedicada ao tema.

“Bactérias resistentes conseguem sobreviver e se multiplicar mesmo diante dos remédios”, explica a infectologista do São Cristóvão Saúde, Michelle Zicker. “Elas evoluem por seleção natural: o uso excessivo, desnecessário ou incorreto favorece as cepas multirresistentes”, afirma.

Uma crise com custo humano e econômico

Estimativas internacionais apontam que a resistência a antibióticos e outros antimicrobianos está ligada a mais de 1,27 milhão de mortes diretas por ano e contribui para outras 4,95 milhões, colocando o problema entre as principais causas de óbito no planeta. Crianças menores de cinco anos estão entre as mais vulneráveis.

O impacto econômico também preocupa: estudos projetam perdas de até US$ 3,4 trilhões ao ano no PIB mundial até 2030, além de milhões de pessoas empurradas para a pobreza extrema nas próximas décadas.

Na prática, infecções comuns, como urinárias e respiratórias, têm ficado mais difíceis de tratar, exigindo internações prolongadas e remédios mais caros. Em países de baixa e média renda, a falta de medicamentos eficazes agrava o cenário.

Brasil no radar

No país, a resistência antimicrobiana é estimada em cerca de 33 mil mortes diretas e quase 138 mil associadas por ano. Sem medidas efetivas, os óbitos relacionados ao problema podem alcançar 39 milhões até 2050, segundo projeções baseadas em dados globais.

De hospitais para a comunidade

Se antes a preocupação se concentrava nos hospitais, hoje o problema já é comunitário. Infecções como gonorreia e tuberculose resistente, além de pneumonias e infecções urinárias difíceis de tratar, acendem o alerta em consultórios e unidades básicas de saúde.

Segundo Zicker, a população tem papel central no combate. “Nunca use antibiótico sem prescrição médica ou odontológica e siga doses, horários e tempo de tratamento. Não compartilhe medicamentos e descarte sobras corretamente”, orienta.

O que fazer agora

  • Usar antibióticos com responsabilidade, evitando consumo desnecessário em humanos e animais
  • Reforçar a prevenção de infecções, com higiene das mãos e protocolos de segurança em saúde
  • Investir em pesquisa e desenvolvimento de novos antimicrobianos
  • Apostar em combinações de terapias para contornar a resistência quando indicado

“Prevenir infecções é uma das estratégias mais importantes, porque desenvolver novos antibióticos é demorado e desafiador”, reforça a infectologista. A OMS coordena um plano global desde 2015 para ampliar a conscientização, aprimorar o uso de antimicrobianos e preservar a eficácia dos tratamentos atuais.