Tratamento de varizes sem cortes avança, mas escolha da técnica varia caso a caso
Laser, radiofrequência, cola e outros métodos minimamente invasivos aceleram a recuperação, mas exigem avaliação individual com exame de Doppler.
Por Redação Brazil Health , 07/07/2026
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Técnicas modernas têm mudado a forma de tratar varizes, reduzindo a necessidade de cortes e encurtando o tempo de recuperação. Hoje, muitos procedimentos podem ser feitos de forma minimamente invasiva e até em regime ambulatorial, com retorno mais rápido às atividades do dia a dia.
Com tantas opções disponíveis, porém, uma dúvida virou rotina nos consultórios: qual método é o mais indicado? Para a cirurgiã vascular Andréa Klepacz, a resposta passa por uma análise personalizada. “Mais importante do que escolher a técnica mais moderna é escolher a técnica mais indicada”, afirma.
As varizes estão ligadas à insuficiência venosa, quando as válvulas dentro das veias não funcionam como deveriam. Isso favorece o refluxo do sangue e a dilatação dos vasos, que podem se tornar visíveis, causar desconforto e, em alguns casos, trazer complicações.
Nas últimas décadas, procedimentos que antes exigiam cirurgia convencional, internação e um pós-operatório mais longo foram gradualmente substituídos por abordagens que buscam tratar a veia doente com menor agressão ao corpo.
O que as técnicas minimamente invasivas fazem
Embora usem tecnologias diferentes, os métodos atuais têm um objetivo em comum: fechar a veia comprometida para que o sangue passe a circular por veias saudáveis. Entre as alternativas mais utilizadas estão:
- Laser endovenoso e radiofrequência, que usam energia térmica para ocluir a veia;
- Cola (cianoacrilato), que fecha o vaso sem usar calor;
- Ablação mecanoquímica, que combina ação mecânica e substâncias químicas para tratar o refluxo.
Segundo a especialista, as diferenças entre as técnicas não se resumem ao “tamanho do procedimento”, mas envolvem indicação e perfil do paciente. “A escolha não é única nem padronizada: depende do tipo de veia acometida, do padrão de refluxo, do diâmetro do vaso e do histórico clínico”, explica Andréa Klepacz.
Eficácia, durabilidade e efeitos colaterais
Pesquisas recentes apontam altas taxas de sucesso no tratamento, especialmente quando o problema envolve veias safenas insuficientes. Em muitos casos, a oclusão inicial da veia tratada supera 90%.
Ainda assim, existem diferenças importantes no acompanhamento ao longo do tempo. Um dos pontos observados é a recanalização — quando a veia tratada volta a abrir — e a possível necessidade de nova intervenção. Técnicas térmicas, como laser e radiofrequência, têm histórico mais longo de uso e dados mais consolidados sobre resultados em prazos maiores.
Já métodos mais recentes, como a cola e a ablação mecanoquímica, também mostram bons resultados, mas ainda reúnem mais informações de longo prazo.
Os efeitos colaterais também variam. Técnicas térmicas podem demandar anestesia local mais extensa, enquanto abordagens sem calor tendem a reduzir esse desconforto, embora apresentem particularidades que precisam ser consideradas na decisão.
Por que não existe uma técnica “melhor” para todo mundo
Apesar do avanço tecnológico, especialistas reforçam que não há um único método ideal para todos os pacientes. Além das características da doença, fatores como custo, disponibilidade da tecnologia e experiência do profissional entram na conta.
Por isso, a avaliação com um cirurgião vascular é considerada etapa central do processo. Exames como o ultrassom Doppler ajudam a mapear a circulação venosa e a definir a estratégia mais adequada para cada caso, com base no padrão de refluxo e nas veias envolvidas.
Para Andréa Klepacz, a expansão das opções é positiva, mas não elimina a necessidade de decisão individualizada. “O tratamento das varizes nunca foi tão avançado, mas continua sendo, antes de tudo, uma decisão médica individualizada”, destaca.