Reumatologia

Pernas inquietas à noite? Má circulação e varizes também podem ser a causa

Especialista explica que desconforto nas pernas pode piorar com varizes e má circulação, e que investigar a causa certa ajuda a melhorar o sono e o tratamento.

Por Redação Brazil Health , 16/02/2026

3 min de leitura

Pernas inquietas à noite? Má circulação e varizes também podem ser a causa

Formigamento, coceira por dentro, pequenos choques e a vontade irresistível de mexer as pernas são marcas da chamada síndrome das pernas inquietas. Mais comum do que parece, ela costuma piorar quando a pessoa está parada, especialmente à noite. "A Síndrome das Pernas Inquietas não é apenas um incômodo noturno - é um sinal do corpo pedindo atenção", diz a cirurgiã vascular Dra. Andréa Klepacz.

Quando a circulação entra em cena

Embora seja classificada como um distúrbio neurológico, a médica ressalta que, em parte dos casos, problemas na circulação podem agravar o quadro. Varizes e insuficiência venosa crônica favorecem o acúmulo de sangue nas veias, elevando a pressão local e a inflamação - fatores que aumentam o desconforto nas pernas. "Tratar apenas a SPI não é suficiente. É preciso identificar se existe também um componente vascular contribuindo para a piora do quadro", afirma.

Sinais que pedem investigação da circulação incluem:

  • sensação de peso e inchaço nas pernas
  • "pernas quentes" ao fim do dia
  • agonia ao ficar sentado por longos períodos
  • dificuldade para relaxar as pernas à noite

Tratamento depende da causa

Quando há insuficiência venosa associada, cuidar da circulação pode aliviar de forma importante a síndrome. "Quando existe insuficiência venosa associada, o tratamento adequado do problema vascular pode reduzir significativamente a intensidade da SPI", explica Klepacz. Procedimentos para varizes, escleroterapia e o uso de compressão elástica, quando indicados, costumam melhorar o conforto nas pernas e a qualidade do sono.

A médica destaca, porém, que nem todo caso tem origem vascular. "A maioria dos casos continua sendo neurológica, e por isso o diagnóstico deve ser completo e personalizado." A avaliação inclui entender os sintomas, checar histórico familiar, medir níveis de ferritina, revisar o sono e identificar fatores que pioram o quadro, como certos medicamentos, falta de ferro ou distúrbios metabólicos. Se houver sinais de má circulação, exames vasculares complementares ajudam a revelar o que está por trás do problema.

Quando procurar ajuda

Segundo a especialista, normalizar o desconforto não é uma boa ideia. "Formigamento, necessidade constante de movimentar as pernas e desconforto noturno não fazem parte do envelhecimento natural e não devem ser ignorados." Ao integrar o olhar neurológico e vascular, a chance de um plano eficaz aumenta. Como resume a médica: "Quando enxergamos a condição de forma integrada, considerando tanto o aspecto neurológico quanto o vascular, os resultados são muito mais eficazes."