Lipedema: doença que aumenta pernas e causa dor é confundida com obesidade
Condição crônica atinge principalmente mulheres, costuma piorar em fases hormonais e exige avaliação clínica para diferenciar de ganho de peso, linfedema e problemas nas veias.
Por Redação Brazil Health , 30/05/2026
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O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal e simétrico de gordura, sobretudo nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Diferentemente da obesidade, não se trata apenas de excesso de calorias: o tecido fica inflamado e pode causar dor, sensibilidade ao toque, inchaço e hematomas com facilidade. Um sinal comum é a preservação dos pés, criando um “degrau” entre o tornozelo e o início do aumento de volume.
A condição afeta quase exclusivamente mulheres e pode atingir até uma em cada dez em algum grau, geralmente surgindo ou piorando em períodos de variação hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa.
Segundo a cirurgiã vascular Aline Helena Gonzalez Fares, do INKI, o reconhecimento médico ainda é um desafio. “O lipedema é uma doença real, com base genética, hormonal e inflamatória. Ele não é obesidade, nem resultado de má alimentação”, afirma.
O que a paciente costuma sentir
Entre os sintomas mais relatados estão dor e sensação de peso nas pernas, aumento progressivo de volume ao longo do dia, desconforto ao toque e dificuldade para caminhar longas distâncias. Muitas pacientes também descrevem frustração por emagrecer na parte superior do corpo, enquanto as pernas permanecem volumosas.
“Os sinais mais comuns incluem aumento desproporcional das pernas, acúmulo de gordura em quadris e coxas, pés poupados, hematomas frequentes e sensação de peso”, diz Aline.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é principalmente clínico, com histórico detalhado e exame físico para avaliar o padrão de distribuição da gordura e a presença de dor, inchaço e hematomas. Exames de imagem, como ultrassom com Doppler, podem ser solicitados para ajudar a diferenciar lipedema de linfedema e de alterações venosas.
Para a especialista, identificar cedo pode evitar progressão e limitações. “A avaliação clínica especializada permite diferenciar lipedema de outras doenças ou de acúmulo de gordura localizada, garantindo que a paciente receba a orientação correta desde o primeiro contato”, afirma.
Tratamento: o que pode ajudar
O manejo costuma ser multidisciplinar e individualizado, com foco em reduzir inflamação, dor e inchaço e melhorar a mobilidade. Entre as medidas citadas pela médica estão:
- ajustes alimentares com foco em controle de inflamação;
- uso de meias de compressão para aliviar inchaço e peso;
- exercícios de baixo impacto, como caminhada, musculação, pilates, natação e hidroginástica;
- cirurgia (lipoaspiração específica para lipedema) em casos selecionados e com equipe experiente.
Aline também destaca estratégias do dia a dia para aliviar sintomas, como manter atividade física regular, evitar longos períodos sentada ou em pé, elevar as pernas ao fim do dia e controlar o peso corporal.
“Quanto mais cedo o lipedema é identificado, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida. O acompanhamento especializado é fundamental para orientar cada etapa do tratamento”, conclui a cirurgiã vascular.
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