Reumatologia

Diabetes pode prejudicar a circulação sem sintomas e aumentar risco de feridas nos pés

Por Redação Brazil Health , 25/06/2026

3 min de leitura

Diabetes pode prejudicar a circulação sem sintomas e aumentar risco de feridas nos pés

O diabetes vai além da taxa alta de açúcar no sangue. Quando não é identificado cedo ou controlado de forma adequada, pode comprometer a circulação, reduzir a sensibilidade nos pés e elevar o risco de feridas que passam despercebidas e podem evoluir para infecções graves.

No Brasil, a prevalência da doença aumentou de 6,2% da população em 2013 para 10,5% atualmente. Estimativas indicam ainda que cerca de 5 milhões de brasileiros convivam com diabetes sem saber, com taxa de não diagnóstico em torno de 31,5%.

Como o diabetes afeta a circulação e a sensibilidade

Segundo o cirurgião vascular Afonso Cesar Polimanti, da Comissão de Pé Diabético da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo, a doença pode causar um dano progressivo aos vasos menores. “O diabetes tem a particularidade de afetar a microcirculação, levando ao fechamento dos capilares”, explica.

Esse processo, afirma o especialista, também pode prejudicar a nutrição dos nervos das extremidades, reduzindo a capacidade de sentir os pés. Na prática, a pessoa pode não notar dor ou desconforto mesmo diante de cortes, bolhas e feridas.

Rins e olhos também entram na lista de riscos

Os efeitos do diabetes podem atingir outros órgãos. “Nos rins, está entre as principais causas de insuficiência renal que leva à diálise. Nos olhos, pode provocar a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira”, diz Polimanti.

O médico chama atenção para um cenário que aumenta o perigo: a combinação de menor sensibilidade nos pés com piora da visão. “Imagine a dificuldade de uma pessoa em perceber uma ferida no pé quando não sente dor e tem dificuldade até de enxergar a lesão ao olhar para o próprio pé”, afirma.

Controle da glicemia e acompanhamento reduzem complicações

Para reduzir o risco de danos, a principal medida é manter a glicemia dentro das metas definidas pela equipe de saúde. “O principal cuidado é o mais simples: manter a glicemia dentro das metas recomendadas”, diz o cirurgião vascular, citando atividade física, alimentação adequada e acompanhamento regular como pilares do controle.

O seguimento médico também pode detectar alterações mais cedo. “O seguimento com o médico vascular permite identificar essas alterações em fase precoce, reduzindo o risco de problemas mais graves, como infecções e amputações”, afirma.

Além das consultas, o autoexame dos pés e a atenção a mudanças na pele, na sensibilidade ou ao surgimento de feridas ajudam a buscar atendimento rapidamente. Para o especialista, o apoio familiar pode facilitar a adesão às mudanças de hábitos e aos cuidados diários. “O envolvimento da família é fundamental”, conclui.