Aneurisma cerebral

Aneurisma cerebral: herança e hábitos explicam quem corre mais risco

Genes e hábitos ajudam a prever quem tem mais chance de ter e romper aneurisma; neurologista explica o que fazer e quando investigar a família.

Por Redação Brazil Health , 31/12/2025

3 min de leitura

Aneurisma cerebral: herança e hábitos explicam quem corre mais risco

Por muito tempo, o aneurisma cerebral foi visto como um acidente imprevisível. Hoje, a ciência mostra um quadro mais claro: a combinação entre a genética e as escolhas do dia a dia ajuda a determinar quem corre mais risco.

"Um aneurisma cerebral é como uma 'bolha' na parede de uma artéria do cérebro", explica o neurologista Diego Bandeira. Em muitos casos, ele não dá sinais até se romper e causar uma hemorragia grave.

Risco na família e na genética

Segundo o médico, é crucial separar duas situações:

  • Casos familiares: em torno de 10 a 20% dos pacientes com aneurisma têm parentes próximos também afetados. Nesses cenários, o risco de repetição na família é maior.
  • Herdabilidade: estudos com gêmeos indicam que cerca de 40% do risco global de ter aneurisma se deve a fatores genéticos. Isso não quer dizer que 40% dos pacientes têm familiares com o problema, e sim que a genética influencia fortemente o risco individual.

Algumas doenças hereditárias específicas, como rins policísticos e a forma vascular da síndrome de Ehlers-Danlos, elevam ainda mais a probabilidade de aneurismas.

Pesquisas já identificaram pontos do DNA ligados ao risco. Alguns regulam o funcionamento das células que revestem as artérias; outros, a estrutura muscular dos vasos. Estudos recentes destacam novos genes que podem ajudar a prever não só quem tem mais chance de desenvolver um aneurisma, mas também quem tem maior risco de ruptura. "Essa é a ciência abrindo caminhos para o futuro da prevenção", afirma Bandeira.

O que acontece na artéria ajuda a entender o perigo. Ao enfraquecer, a parede do vaso perde fibras de sustentação e fica mais sujeita à pressão do sangue. Células de defesa tentam reparar os danos, mas podem tornar a área ainda mais instável. "É como uma reforma malfeita: em vez de reforçar, a estrutura se fragiliza", compara o neurologista.

Hábitos que pesam - e o que fazer

"Herança não é destino." Para Bandeira, os maiores vilões continuam sendo conhecidos: tabagismo e pressão alta, que aumentam de forma importante a chance de crescimento e ruptura do aneurisma. O consumo excessivo de álcool e o fato de ser mulher também elevam o risco. "A genética pode até 'abrir a porta', mas são os hábitos que decidem se ela será atravessada."

A boa notícia é que esse lado da balança dá para controlar. Abandonar o cigarro, manter a pressão sob controle e adotar um estilo de vida saudável são medidas simples que salvam vidas.

Quem deve investigar

Não é preciso correr para exames preventivos. Eles podem fazer sentido em famílias com dois ou mais casos, ou para quem tem doenças hereditárias específicas. Nessas situações, a angiorressonância é uma opção. "A decisão deve ser individualizada, sempre junto com um especialista", orienta Bandeira.

Por ora, a mensagem é direta: o aneurisma resulta da mistura de herança e ambiente. Informação, prevenção e escolhas conscientes continuam sendo o caminho mais seguro.