Anafilaxia

Estudo Destaca Aumento dos Casos de Anafilaxia e Desafios no Tratamento no Brasil

Pacientes brasileiros ainda enfrentam dificuldades de acesso ao tratamento imediato contra anafilaxia, condição alérgica grave cuja principal ameaça é a falta de adrenalina autoinjetável.

Por Redação Brazil Health , 22/08/2025

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Estudo Destaca Aumento dos Casos de Anafilaxia e Desafios no Tratamento no Brasil

Estudo revela principais causas, sintomas e dificuldades enfrentadas por pacientes que convivem com o risco da anafilaxia no país.

A anafilaxia é uma emergência médica que pode evoluir rapidamente para a morte se não tratada de imediato. No Brasil, porém, a falta de acesso à adrenalina autoinjetável e a subnotificação do problema dificultam o manejo dessa reação alérgica considerada a mais grave de todas. Dados inéditos do Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), iniciativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), ajudam a lançar luz sobre esse cenário.

“A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica que, se não tratada a tempo com adrenalina, pode levar o paciente a óbito. Medicamentos, alimentos, ferroadas de insetos e látex estão entre as principais causas”, alerta a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI.

Principais sinais e manifestações

  • Pele e mucosas: coceira, vermelhidão, presença de placas ou manchas e inchaços na face.
  • Respiratórias: coceira e congestão nasal, espirros, sensação de sufocação ou aperto na garganta, rouquidão, tosse, chiado no peito ou falta de ar e parada respiratória.
  • Gastrointestinais: náuseas e vômitos intensos, cólicas e diarreia.
  • Cardiovasculares: queda da pressão arterial, com ou sem desmaio, alteração nos batimentos cardíacos e parada cardíaca.
  • Neurológicas: tontura, dor de cabeça, crises convulsivas e confusão mental.

Outros sintomas também incluem sensação de morte iminente, contrações uterinas, incontinência fecal e urinária, visão turva e zumbido.

Segundo o levantamento, dentre os 318 pacientes analisados, alimentos foram responsáveis por 42,1% das crises – leite de vaca, mariscos e ovos lideram. Medicamentos aparecem como causa em 32,4% dos casos, e ferroadas de insetos, em 23,9%. No geral, crianças do sexo masculino são maioria entre os casos pediátricos, enquanto mulheres predominam nos adultos.

“O objetivo do Registro Brasileiro de Anafilaxia é ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença no país e fundamentar políticas públicas para prevenção e tratamento”, relata a Dra. Mara Morelo, diretora de pesquisa adjunta e coordenadora do estudo junto ao professor Dirceu Solé.

Dificuldades no socorro imediato

Apesar de a adrenalina ser amplamente reconhecida como salvadora nesses casos, apenas 8,2% dos pacientes possuem o dispositivo autoinjetável no Brasil, que só pode ser obtido via importação, a custos elevados. O medicamento é considerado tão essencial quanto um desfibrilador em situações de emergência, pois deve ser utilizado nos minutos iniciais da reação.

“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicada assim que os sinais começam. A demora pode levar a óbito antes mesmo de chegar ao hospital”, enfatiza a dra. Morelo.

Hoje, 96,2% dos pacientes relatam ter recebido algum tipo de tratamento e 50,3% fizeram uso da adrenalina, mas, na maioria dos casos, a aplicação ocorre no ambiente hospitalar, após o agravamento do quadro. Quinze pessoas analisadas precisaram de intubação e dez foram reanimadas em situação crítica.

Frente a esse desafio, a ASBAI apoia dois projetos de lei em tramitação: um para tornar obrigatória a notificação dos casos de anafilaxia e outro para fornecer gratuitamente a caneta de adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa medida é vital para garantir acesso rápido ao tratamento em escolas, casas e outros locais onde cada segundo conta”, destaca a Dra. Fátima Fernandes, presidente da ASBAI.