Alzheimer

Nova ferramenta prevê risco de Alzheimer anos antes dos primeiros sinais

Modelo da Mayo Clinic estima risco individual e pode orientar início de cuidados e tratamentos

Por Redação Brazil Health , 18/11/2025

3 min de leitura

Nova ferramenta prevê risco de Alzheimer anos antes dos primeiros sinais

Cientistas da Mayo Clinic desenvolveram uma ferramenta que calcula a chance de uma pessoa ter problemas de memória e pensamento típicos do Alzheimer anos antes do aparecimento dos sintomas. O trabalho, publicado na revista The Lancet Neurology, usa décadas de dados do Estudo sobre o Envelhecimento da instituição.

O modelo estima o risco de desenvolver comprometimento cognitivo leve (CCL) ou demência em 10 anos e ao longo da vida. O CCL é um estágio intermediário: afeta a rotina, mas ainda permite autonomia.

Como funciona a previsão

A ferramenta cruza idade, sexo, genética (variante APOE ε4) e sinais de “placas” de proteína no cérebro identificadas por exames de PET. Entre todos os fatores, o nível dessas placas foi o que mais pesou no risco ao longo da vida.

“O que é empolgante agora é olhar ainda mais cedo — antes dos sintomas — para prever quem pode estar em maior risco de ter problemas cognitivos no futuro”, disse o radiologista Clifford Jack Jr., autor principal do estudo.

Nos últimos anos, medicamentos aprovados nos Estados Unidos passaram a remover essas placas e, em alguns casos, retardar a progressão da doença em pessoas com CCL ou demência leve, o que reforça a importância de identificar o risco precocemente.

Quem tem mais risco

O estudo aponta que as mulheres têm risco vitalício maior de desenvolver demência e CCL do que os homens. Portadores da variante genética APOE ε4 também apresentam risco elevado.

“Esse tipo de estimativa pode ajudar pacientes e médicos a decidir quando iniciar um tratamento ou mudanças de estilo de vida. É parecido com usar o colesterol para prever risco de infarto”, afirmou o neurologista Ronald Petersen, coautor e diretor do Estudo sobre o Envelhecimento.

A análise reuniu dados de 5.858 participantes do condado de Olmsted, em Minnesota. Diferencial do projeto, a equipe conseguiu acompanhar a saúde dos voluntários mesmo após a saída do estudo, por meio de prontuários, reduzindo perdas de informação.

“Isso nos dá uma visão singular de como o Alzheimer evolui na comunidade”, disse o estatístico Terry Therneau, autor sênior. “A incidência de demência foi duas vezes maior entre quem abandonou o estudo do que entre os que continuaram.”

O que vem pela frente

Por enquanto, a ferramenta é voltada à pesquisa e não é um exame de rotina. Futuras versões devem incorporar biomarcadores sanguíneos, o que pode baratear e ampliar o acesso.

Os autores destacam que decisões sobre testes e terapias devem ser individualizadas e tomadas com o médico, considerando disponibilidade de exames e benefícios esperados.

O projeto integra a iniciativa Precure, da Mayo Clinic, que busca antecipar e interceptar processos biológicos antes que se tornem doenças complexas. “Nosso objetivo é dar às pessoas mais tempo — para planejar, agir e viver bem antes que os problemas de memória apareçam”, concluiu Petersen.