Alzheimer

Exame de PET detecta Alzheimer anos antes dos sintomas e abre caminho a tratamento

Tecnologia de medicina nuclear identifica alterações no cérebro, diferencia causas de demência e pode orientar tratamentos mais cedo.

Por Redação Brazil Health , 04/01/2026

3 min de leitura

Exame de PET detecta Alzheimer anos antes dos sintomas e abre caminho a tratamento

O Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo. No Brasil, cerca de 8,5% das pessoas com mais de 60 anos têm algum tipo de demência — aproximadamente 1,8 milhão de brasileiros — e esse número pode triplicar até 2050. “Quando os sintomas de perda de memória e desorientação aparecem, o cérebro já sofreu danos significativos e irreversíveis”, afirma o médico nuclear Paulo Gustavo Limeira Nobre de Lacerda.

Como funciona o PET cerebral

O PET cerebral (tomografia por emissão de pósitrons) usa pequenas doses de substâncias radioativas que se ligam a alvos específicos no cérebro. Diferente da ressonância ou da tomografia, que mostram a estrutura, o PET revela a atividade biológica em tempo real, ajudando a diferenciar o Alzheimer de outras demências.

  • PET-FDG: mede o “consumo de açúcar” do cérebro e identifica áreas com queda do metabolismo típicas de doenças neurodegenerativas.
  • PET-FBB: flagra o acúmulo de proteína beta-amiloide, um marcador-chave do Alzheimer, mesmo antes dos primeiros esquecimentos.

O exame é realizado de forma ambulatorial: o paciente recebe o radiofármaco na veia, aguarda cerca de 40 minutos e faz as imagens em 15 a 20 minutos. “O exame é simples, indolor e realizado de forma ambulatorial”, destaca Lacerda. A dose de radiação é baixa e comparável à de exames diagnósticos de rotina.

Precisão e novas terapias

Estudos mostram que o PET com FDG tem precisão superior a 90% para identificar o padrão metabólico do Alzheimer e permite monitorar a evolução do quadro. Já o PET com florbetabeno detecta e quantifica placas de beta-amiloide, etapa essencial para selecionar quem pode se beneficiar de novos medicamentos, como anticorpos monoclonais que vêm mostrando potencial para retardar a progressão da doença.

No Brasil, centros de referência já oferecem o PET cerebral para investigar queixas cognitivas iniciais, sobretudo em pessoas com histórico familiar ou sinais leves de comprometimento de memória. A identificação precoce abre espaço para medicamentos e para intervenções cognitivas e de estilo de vida, que preservam autonomia e qualidade de vida por mais tempo. “Identificar a doença antes dos danos irreversíveis muda completamente a forma de encarar o Alzheimer”, diz o médico.

Um novo olhar para o Alzheimer

A integração entre imagem molecular e diagnóstico clínico aponta para um cuidado mais preciso e personalizado. “A medicina nuclear, com o uso das modalidades PET cerebral com FDG-F18 e FBB-F18, oferece uma nova perspectiva de esperança para milhões de famílias”, conclui Lacerda.