Alzheimer

Anvisa aprova remédio para Alzheimer em fase inicial; entenda como funciona

Leqembi, à base de lecanemabe, é indicado para fase inicial e aplicado por infusão; uso exige monitoramento e não substitui prevenção e diagnóstico precoce.

Por Redação Brazil Health , 10/01/2026

3 min de leitura

Anvisa aprova remédio para Alzheimer em fase inicial; entenda como funciona

A Anvisa aprovou em dezembro de 2025 o Leqembi, medicamento à base do anticorpo monoclonal lecanemabe, indicado para pessoas com doença de Alzheimer em fase inicial. A decisão marca a chegada ao Brasil de uma terapia que busca desacelerar a progressão da condição – tema relevante para um país com mais de 1 milhão de afetados.

O fármaco atua reduzindo placas de beta-amiloide no cérebro, uma das alterações biológicas associadas ao declínio cognitivo. A aplicação é feita por infusão intravenosa, geralmente a cada duas semanas, com indicação apenas para estágios iniciais e necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Como age o novo remédio

A eficácia foi demonstrada em um estudo clínico publicado em 2022 no New England Journal of Medicine, com 1.795 participantes em fase inicial da doença. Após 18 meses, o grupo tratado apresentou declínio cognitivo-funcional mais lento que o placebo. Especialistas ressaltam que não se trata de cura e que o tratamento pode causar efeitos adversos, o que exige avaliação individual de riscos e benefícios.

O Leqembi já é usado nos Estados Unidos desde 2023. No Brasil, a definição de preço e de acesso ainda depende de etapas regulatórias – como a precificação pela CMED e eventuais análises de incorporação pelo SUS e por planos de saúde. Até lá, a disponibilidade na rede pública e privada permanece incerta.

Prevenção e diagnóstico seguem centrais

Embora represente avanço, o novo medicamento não substitui medidas de prevenção nem o diagnóstico precoce. “O Alzheimer pode começar silenciosamente até 30 anos antes dos primeiros sintomas. Isso significa que temos uma janela enorme para agir, cuidando da saúde física, mental e emocional”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski. “Quanto mais cedo começarmos, maior a chance de evitar ou postergar o declínio cognitivo.”

Estudos indicam que até 48% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados com controle de fatores de risco – no Brasil, a estimativa chega a 52%. Entre os fatores modificáveis estão:

  • hipertensão e diabetes
  • colesterol elevado e obesidade
  • sedentarismo e tabagismo
  • depressão e isolamento social

Diagnóstico precoce e novas pesquisas

Avanços em exames de sangue para detectar biomarcadores do Alzheimer estão em estudo e podem apoiar o diagnóstico precoce. O uso em pessoas sem sintomas, porém, demanda cautela para evitar interpretações equivocadas e ansiedade desnecessária.

Medicamentos já conhecidos na endocrinologia, como a semaglutida – usada em obesidade e diabetes tipo 2 –, estão sendo avaliados em ensaios clínicos por possível efeito neuroprotetor. Até haver resultados conclusivos, não há recomendação para uso fora das indicações atuais.

A Lancet Commission ampliou recentemente a lista de fatores de risco para o Alzheimer, incluindo colesterol alto e problemas de visão, reforçando a importância de cuidar da saúde como um todo para proteger o cérebro.

Para Rascovski, a combinação entre novas terapias, rastreio cognitivo e hábitos saudáveis reposiciona a doença. “Estamos diante de uma mudança de paradigma: o Alzheimer é uma condição na qual podemos intervir antes”, diz. A mensagem, resume, é transformar conscientização em ação.