Alimentos Ultraprocessados

Ultraprocessados e a Saúde dos Jovens: Alerta para os Riscos de uma Epidemia Nutricional

Consumo crescente de industrializados eleva riscos de doenças físicas e mentais, alertam especialistas

Por Redação Brazil Health , 20/09/2025

3 min de leitura

Ultraprocessados e a Saúde dos Jovens: Alerta para os Riscos de uma Epidemia Nutricional

O hábito de consumir alimentos ultraprocessados, cada vez mais comum entre crianças e adolescentes no Brasil, está provocando uma verdadeira epidemia nutricional silenciosa. Produtos como salgadinhos, refrigerantes, bolachas recheadas e refeições congeladas passaram a ocupar lugar fixo nas mesas das famílias, com impacto preocupante para a saúde pública.

Estudo nacional publicado em dezembro de 2024 na revista Nutrients, que acompanhou mais de 15 mil brasileiros ao longo de dez anos, expôs as consequências do consumo frequente desses produtos: maior incidência de gordura abdominal, hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças hepáticas.

O levantamento também traz alertas sobre a saúde mental. “Constatamos que pessoas que consomem regularmente ultraprocessados apresentam risco aumentado de desenvolver ansiedade e depressão”, afirma a nutricionista Martha Amodio, da health tech G7med. Segundo ela, o problema está na composição desses alimentos, geralmente ricos em gorduras, açúcares e aditivos químicos e pobres em nutrientes essenciais. Esse desequilíbrio pode afetar diretamente a microbiota intestinal e a produção de hormônios ligados ao apetite, sono e bem-estar.

Dados do Atlas Mundial de Diabetes de 2025 reforçam a gravidade da situação: de 2011 a 2024, o número de pessoas com diabetes no país saltou de 12,4 milhões para 16,6 milhões — e boa parte dos novos casos está diretamente relacionada ao estilo de vida e à alimentação pobre em qualidade.

Nos consultórios, os reflexos não demoram a aparecer. Fadiga, dores de cabeça, alterações intestinais, oscilações de humor, ansiedade e dificuldade de concentração já se tornaram queixas frequentes entre adolescentes. “A alimentação afeta diretamente o sistema endócrino e o sistema nervoso. O corpo sente, e a mente também”, explica Amodio.

Além disso, deficiências de vitaminas e minerais, associadas à ingestão excessiva de ultraprocessados, comprometem o crescimento, o desenvolvimento físico e cognitivo, e podem antecipar ou retardar a puberdade.

  • opte por alimentos in natura como frutas, verduras, ovos e carnes
  • priorize minimamente processados, como arroz e feijão
  • evite industrializados com muitos ingredientes e aditivos
  • cozinhe mais em casa e leia atentamente os rótulos

A classificação dos alimentos considera quatro categorias, do in natura ao ultraprocessado. Quanto mais ingredientes desconhecidos do dia a dia, maior a probabilidade de o produto ser prejudicial.

Para Martha Amodio, vencer este desafio exige mudanças tanto no comportamento individual quanto em políticas públicas. “Promover ambientes alimentares mais saudáveis é fundamental, em casa, nas escolas e espaços públicos. Quando investimos em alimentação de qualidade para os jovens, investimos no futuro do país”, conclui.