Otorrinolaringologia

Outono aumenta alergias e gripes: veja como diferenciar e quando buscar ajuda

Ar mais seco e mais tempo em locais fechados elevam crises de rinite e asma e também favorecem a circulação de vírus. Especialistas alertam para sinais que ajudam a separar alergia de infecção e para os riscos da automedicação.

Por Redação Brazil Health , 08/04/2026

3 min de leitura

Outono aumenta alergias e gripes: veja como diferenciar e quando buscar ajuda

Espirros, nariz entupido, tosse e cansaço tendem a aparecer com mais frequência no outono e nem sempre indicam a mesma causa. A combinação de ar mais seco, maior concentração de poeira e poluentes e a permanência em ambientes fechados cria um cenário favorável tanto para alergias respiratórias quanto para gripes e resfriados.

Estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% da população brasileira convive com algum tipo de alergia. No cenário global, a Organização Mundial de Alergia (WAO) aponta que de 30% a 40% das pessoas têm alguma condição alérgica, com tendência de crescimento nas próximas décadas.

“Durante o outono, observamos uma combinação de fatores que fragiliza as defesas naturais das vias aéreas. O ar mais seco irrita a mucosa, enquanto a maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus”, afirma Luis Felipe Ensina, coordenador do Núcleo de Alergia do Hospital Sírio-Libanês.

Por que os sintomas se confundem

Nesta época do ano, agentes diferentes podem provocar sinais muito parecidos. Poeira, ácaros e poluentes podem desencadear crises de rinite e asma; ao mesmo tempo, vírus como influenza e rinovírus circulam com mais facilidade em locais pouco ventilados. Em algumas situações, uma infecção viral também pode precipitar uma crise alérgica, somando sintomas e dificultando o diagnóstico.

“O que muita gente não percebe é que esses sintomas não têm uma única causa. É a soma de ar seco, poluentes, alérgenos e vírus circulando ao mesmo tempo. Para quem já tem rinite ou asma, esse conjunto funciona como um fator importante para crises”, diz Chayanne Andrade de Araújo, médica do Núcleo de Alergia do Hospital Sírio-Libanês.

Sinais que ajudam a diferenciar

Embora só a avaliação médica confirme o diagnóstico, alguns padrões ajudam a orientar. “Quadros alérgicos costumam provocar espirros frequentes, coceira, coriza transparente e lacrimejamento, podendo persistir por semanas. Já as infecções virais são mais curtas e geralmente vêm acompanhadas de febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar”, explica Araújo.

Automedicação pode piorar

Os especialistas chamam atenção para o uso indiscriminado de descongestionantes nasais. “O uso frequente de descongestionantes nasais pode provocar efeito rebote e agravar os sintomas”, alerta Ensina. Ele também destaca que interromper tratamentos contínuos para rinite e asma aumenta o risco de crises e de piora do quadro.

Medidas simples podem reduzir tanto alergias quanto infecções respiratórias: manter ambientes ventilados, evitar acúmulo de poeira, higienizar as mãos com frequência, além de manter a vacinação em dia. Quem já tem doenças respiratórias deve seguir o tratamento regularmente e procurar avaliação médica quando os sintomas persistirem, piorarem ou vierem acompanhados de febre alta, falta de ar ou queda importante do estado geral.

A seguir, veja um guia prático de sinais mais comuns.

  • Pode ser alergia: espirros em sequência, coceira no nariz/olhos/garganta, coriza transparente, lacrimejamento, congestão nasal; costuma durar dias ou semanas e não causa febre nem dor no corpo.
  • Pode ser infecção viral (gripe ou resfriado): coriza e nariz entupido com tosse, febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar; em geral dura de 3 a 5 dias.