Otorrinolaringologia

Dermatite atópica pode anunciar rinite, asma e alergias alimentares

Alergista explica a “marcha alérgica” e defende avaliação precoce para frear a progressão de rinite, asma e reações a alimentos

Por Redação Brazil Health , 16/11/2025

3 min de leitura

Dermatite atópica pode anunciar rinite, asma e alergias alimentares

A coceira e as manchas vermelhas na pele podem ser mais do que um incômodo. Para a alergista e imunologista Dra. Natasha Rebouças Ferraroni, “a inflamação na pele muitas vezes é apenas o início de uma jornada conhecida como ‘marcha alérgica’”. Em outras palavras, a dermatite atópica pode abrir caminho para rinite, asma e alergias alimentares ao longo da vida.

O que é a “marcha alérgica”

O termo descreve a sequência de manifestações que um mesmo paciente pode apresentar com o passar dos anos. “Cada fase é como se fosse um ‘capítulo’ da mesma história, em que o sistema imunológico escolhe um órgão para expressar sua reação exagerada a substâncias comuns do dia a dia”, explica a médica.

  • Dermatite na pele
  • Rinite
  • Asma
  • Alergia alimentar

Por isso, reduzir a dermatite a um problema apenas estético é perigoso. Segundo a especialista, “ela é, na verdade, um marcador de risco para outras doenças”. Estima-se que até 30% dos casos tenham relação com alergia alimentar, sobretudo a proteínas — detectar esse vínculo cedo ajuda a evitar agravamentos.

Por que procurar o alergista

Tratar só com hidratantes e pomadas alivia, mas não resolve a causa. “É o alergista quem pode avaliar de forma ampla, investigando não só a pele, mas também o histórico familiar, possíveis alergias respiratórias e a relação com alimentos ou fatores ambientais”, afirma Ferraroni. Quanto mais cedo essa avaliação acontece, maiores são as chances de interromper ou minimizar a progressão da marcha alérgica.

Ignorar sinais pode agravar o quadro

Deixar a dermatite sem o manejo adequado pode trazer consequências além do desconforto: as lesões podem causar manchas brancas na pele, confundidas com verminoses e, em crianças, até motivar situações de bullying. Pior, permitir que a doença siga seu curso natural aumenta a probabilidade de rinite persistente, crises de asma e alergias alimentares difíceis de controlar.

“A dermatite atópica precisa ser encarada como um aviso do corpo”, reforça a médica. O caminho, diz ela, é buscar orientação especializada logo nos primeiros sinais, identificar gatilhos, ajustar hábitos e, se necessário, iniciar um tratamento direcionado. Diagnóstico precoce e acompanhamento adequado fazem a diferença para preservar a qualidade de vida e evitar que um problema de pele se transforme em uma sequência de doenças evitáveis.