Otorrinolaringologia

Conviver com mofo eleva risco de alergias, asma e irritações

A presença de fungos em ambientes fechados compromete o ar, intensifica problemas respiratórios e pode gerar danos à estrutura da casa; veja como evitar

Por Redação Brazil Health , 04/02/2026

3 min de leitura

Conviver com mofo eleva risco de alergias, asma e irritações

Manchas nas paredes e cheiro de umidade estão longe de ser apenas um incômodo visual. Em ambientes úmidos e mal ventilados, fungos liberam esporos e partículas microscópicas que se espalham pelo ar e, ao serem inaladas, podem irritar as vias respiratórias, agravar alergias, sinusites e asma, além de provocar tosse, chiado no peito e falta de ar. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os mais vulneráveis. “O mofo é um risco real para a saúde e ainda é muito subestimado”, alerta a alergista e imunologista Natasha Rebouças Ferraroni.

O alerta se estende também aos ambientes de trabalho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% dos edifícios no mundo apresentam características da chamada Síndrome do Edifício Doente. Nesses casos, é comum que pessoas desenvolvam sintomas como irritação nos olhos, dor de cabeça, fadiga, dificuldade de concentração e problemas respiratórios enquanto permanecem no local, com melhora após se afastarem do ambiente. A presença de fungos no ar, incluindo o mofo, é um dos indícios mais frequentes desse tipo de problema.

Por que o mofo faz mal e quem sofre mais

O mofo é formado por colônias de fungos que liberam esporos microscópicos, facilmente inalados. Eles são fatores de risco para rinite, sinusite, tosse persistente e exacerbações de asma, com impacto maior em crianças, idosos, pessoas com rinite alérgica e indivíduos com imunidade mais baixa.

Entre os sintomas, destaca-se:

  • Nariz congestionado ao acordar
  • Aumento da tosse noturna
  • Irritação nos olhos
  • Cheiro forte de umidade em armários e manchas que voltam no mesmo lugar.

Em quadros mais severos, o mofo pode favorecer infecções respiratórias recorrentes e inflamações, especialmente em quem já tem doenças alérgicas.

Além dos impactos à saúde, o problema também deteriora reboco, tinta, madeira, tecidos e livros e pode até comprometer a estrutura das paredes, reduzindo o valor de mercado do imóvel.

Como eliminar e prevenir a volta

“A prevenção começa com medidas simples do dia a dia”, orienta a médica. Confira os cuidados apontados por ela para reduzir a umidade e dificultar a proliferação de fungos:

  • Ventilar os cômodos diariamente e permitir a entrada de luz natural
  • Não arrumar a cama imediatamente ao levantar, para o colchão perder a umidade
  • Evitar que móveis fiquem colados às paredes
  • Abrir armários e gavetas regularmente

Se o mofo já apareceu, é essencial atacar a causa da umidade, já que infiltrações, goteiras, vazamentos e falhas de isolamento precisam ser corrigidos. A limpeza com água sanitária ou produtos antifúngicos, sozinha, não resolve o problema, pois muitas vezes são necessários reparos estruturais e repintura com tinta antimofo, destaca a especialista. Em regiões muito úmidas ou em imóveis com pouca incidência de sol, aparelhos purificadores de ar e desumidificadores podem ajudar a controlar a umidade relativa.

Para ela, o mofo é um sinal de que o ambiente está comprometido e que a qualidade do ar respirado diariamente pode estar prejudicada. Com atenção aos sinais, intervenções corretas e pequenas mudanças na rotina, é possível transformar a casa em um espaço mais seguro, saudável e confortável para viver.