Agosto Dourado

Agosto Dourado: 10 Mitos e Verdades Sobre a Amamentação Desvendados por Especialista

Leite fraco, apojadura tardia e uso de mamadeiras: pediatras esclarecem o que é mito e o que realmente influencia o sucesso da amamentação

Por Redação Brazil Health , 19/08/2025

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Agosto Dourado: 10 Mitos e Verdades Sobre a Amamentação Desvendados por Especialista

A amamentação ainda é cercada de dúvidas, apesar de seus inúmeros benefícios comprovados para a saúde das mães e dos bebês. Mesmo com campanhas amplas, a taxa de aleitamento materno exclusivo até os seis meses no Brasil é de apenas 45,8%, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI). Muitas dessas dificuldades estão ligadas à disseminação de mitos e incertezas.

O pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo e membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), esclarece as principais confusões sobre o tema e orienta mães e familiares a confiar em evidências em vez de crendices populares.

  • não existe leite materno fraco: o leite da mãe é sempre adequado e se adapta ao desenvolvimento do bebê, mesmo em casos de desnutrição materna. Problemas com ganho de peso geralmente estão ligados à pega incorreta ou à frequência das mamadas.
  • mamadeira e chupeta não são recomendadas: o uso desses itens pode atrapalhar o processo de amamentação e causar confusão de bicos, levando inclusive ao desmame precoce.
  • revezar os seios não é obrigatório: o ideal é que o bebê esvazie um seio antes de passar para o outro para garantir a ingestão do leite mais calórico do final da mamada.
  • banho de sol não previne fissuras mamárias: fissuras geralmente ocorrem por pega incorreta e o cuidado deve ser manter a região limpa com água e utilizar sutiã adequado, sem produtos secantes ou hidratantes nos mamilos.
  • mãe doente pode amamentar: doenças comuns como gripe ou resfriado não impedem a amamentação e, inclusive, anticorpos são passados ao bebê pelo leite. Somente condições graves, como HIV e tuberculose ativa, podem exigir restrições mediante avaliação médica.
  • tamanho dos seios não interfere na quantidade de leite: a produção depende da demanda estimulada pelo bebê e não do volume dos seios.
  • amamentar não deve causar dor: dor indica problemas na pega, que precisam ser corrigidos com apoio profissional para evitar complicações.
  • sem horários rígidos: a amamentação deve ser em livre demanda, respeitando os sinais de fome do bebê.
  • cesariana não retarda a descida do leite: a produção é hormonal e independe do tipo de parto, embora o pós-operatório possa dificultar o início, ressaltando a importância do contato pele a pele precoce e mamada na primeira hora.
  • amamentar não "estraga" os seios: as alterações no formato e flacidez são decorrentes das mudanças hormonais da gravidez e não diretamente do aleitamento.

O pediatra ressalta: “Mesmo mães com alguma desnutrição são capazes de produzir leite de qualidade. Se o bebê não está ganhando peso, a causa pode ser a pega incorreta ou a frequência das mamadas, e não a qualidade do leite”. Ele recomenda que, diante de dúvidas ou dificuldades, as mães busquem orientação de profissionais de saúde, como consultores de amamentação ou enfermeiros especializados.

Além de garantir alimentação e imunidade para o bebê, amamentar também traz vantagens para a saúde materna, como reforça Robledo: “A amamentação, na verdade, ajuda o útero a retornar ao seu tamanho normal mais rapidamente e pode até reduzir o risco de alguns tipos de câncer, como o de mama e ovário”.

No mês do Agosto Dourado, a informação é a chave para proteger a saúde e fortalecer o vínculo entre mães e seus filhos.