Adultização de Crianças

Especialista Destaca Riscos da Adultização Infantil e Alerta Sobre Impactos Emocionais

A exposição de crianças a comportamentos adultos pode gerar impactos negativos na saúde emocional e aumentar a vulnerabilidade a transtornos e situações de risco.

Por Redação Brazil Health , 25/08/2025

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Especialista Destaca Riscos da Adultização Infantil e Alerta Sobre Impactos Emocionais

Exposição precoce a conteúdos sexualizados pode causar ansiedade, depressão e facilitar abusos, segundo o médico e terapeuta Dr. João Borzino.

O fenômeno da adultização precoce de crianças e adolescentes preocupa profissionais de saúde e acende um sinal de alerta para pais e educadores. Segundo o médico e terapeuta Dr. João Borzino, a tendência de expor crianças a comportamentos, responsabilidades e padrões de aparência típicos de adultos pode trazer sérias consequências ao desenvolvimento emocional dos jovens, interferindo até mesmo em sua saúde mental futura.

“Adultizar uma criança não é apenas vesti-la como adulto, mas impor exigências, desejos e comportamentos para os quais ela ainda não está preparada”, alerta Borzino. Estudos citados pelo especialista mostram que o cérebro infantil se desenvolve por etapas, sendo o córtex pré-frontal – responsável por julgamento e autocontrole – o último a amadurecer, já na adolescência tardia. A exposição a conteúdos sexualizados, segundo ele, acelera demandas emocionais para as quais as crianças não estão preparadas.

Borzino cita pesquisas internacionais que identificam ligação direta entre a hipersexualização e sintomas persistentes de ansiedade, depressão, transtornos de imagem corporal e comportamento impulsivo. “A Organização Mundial da Saúde classifica a erotização infantil como uma forma de violência psicológica. Mesmo assim, isso se tornou quase naturalizado nas redes sociais e na cultura pop”, afirma.

O consumo excessivo de telas é outro ponto de alerta. Segundo dados da Elsevier, crianças que passam mais de três horas diárias em frente a dispositivos eletrônicos têm alterações nas áreas do cérebro relacionadas ao medo e ao equilíbrio emocional, tornando-as mais impulsivas e vulneráveis à busca por aprovação externa.

O médico destaca ainda a importância de iniciativas que alertam para o tema, como o canal do youtuber Felca, que critica a normalização da adultização infantil em conteúdos na internet. “Ele faz o que grande parte das instituições ainda hesita em fazer: denunciar a erosão silenciosa da infância travestida de entretenimento”, observa Borzino.

Pessoas adultas que passaram pela adultização precoce tendem a desenvolver dificuldades emocionais complexas, aponta Borzino, citando dados de pesquisas publicadas pela Lancet Psychiatry e Lilacs, entre outras. São problemas como:

  • depressão e ideação suicida;
  • transtornos de personalidade;
  • dificuldades de intimidade emocional;
  • baixa autoestima crônica;
  • relações abusivas e hipersexualizadas;
  • adição a pornografia ou comportamentos autodestrutivos.

Pais devem ficar atentos a comportamentos como imitação de poses sensuais, preocupação excessiva com a aparência, irritação por falta de curtidas nas redes, uso de termos como “ser sexy” ou “fazer sucesso”, e desinteresse por brincadeiras espontâneas.

Como prevenção, Borzino recomenda limitar o tempo de tela a no máximo uma hora diária para crianças menores de 10 anos, sempre supervisionado. Ele reforça: “Desligue as telas, sente no chão com seu filho, escute e brinque com ele. Criança que possui vínculo seguro em casa busca menos aprovação fora dela. Proteger a infância começa dentro de casa”.