Doença de Parkinson: O Que É e Como Surgem os Primeiros Sintomas
Reconhecer sintomas sutis e buscar apoio faz diferença na rotina de pessoas com Parkinson, contribuindo para lidar melhor com os desafios e promover autonomia ao longo do tempo
Por Dra. Carina França , 01/08/2025
4 min de leitura
Casos recentes como de Morten Harket e Molly Stern chamam atenção para a importância de reconhecer os sinais precoces da doença
Em primeiro lugar, é importante frisar que o termo correto é “doença de Parkinson”. A expressão “mal de Parkinson” vem de uma tradução incorreta e deve ser evitada, pois carrega um estigma adicional. Embora tenha sido descrita pelo médico inglês James Parkinson como “paralisia agitante”, a denominação atual foi consolidada pelo médico francês Jean-Martin Charcot. Ao traduzir o termo francês maladie de Parkinson, o português adotou “mal”, quando o correto seria simplesmente “doença”.
Como surgem os primeiros sintomas
A doença de Parkinson é complexa, com ampla variação de sintomas entre os pacientes. Os sinais motores mais conhecidos incluem bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez muscular e tremor de repouso — sendo a bradicinesia o principal deles. Ela pode se manifestar de várias formas, como diminuição do tamanho da caligrafia, do volume da voz, do balanço dos braços ao caminhar e até da expressão facial. Vale lembrar que nem todo paciente com Parkinson apresenta tremor, e que o tremor essencial é a principal causa de tremor na população em geral.
Além dos sintomas motores, há também sintomas não motores, como a hiposmia (redução do olfato) e o distúrbio comportamental do sono REM — que podem surgir anos antes dos sintomas motores. Outros sintomas comuns incluem dor, depressão, ansiedade, constipação, alterações urinárias e dificuldade em regular a pressão arterial. A intensidade e presença desses sintomas variam de pessoa para pessoa.
Avanços no tratamento do Parkinson
Embora ainda não exista cura, o tratamento multidisciplinar permite o controle dos sintomas e melhora significativa na qualidade de vida. A abordagem deve envolver medicamentos, atividade física regular e reabilitação com profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
A levodopa continua sendo o padrão ouro no tratamento medicamentoso, com alta eficácia e bom perfil de efeitos colaterais. Outras medicações complementam o controle dos sintomas, e há avanços em dispositivos, como a bomba de foslevodopa-foscarbidopa, que libera o medicamento de forma contínua no subcutâneo — tecnologia em fase de aprovação pela Anvisa.
Em casos específicos, o paciente pode ser candidato à cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS), iniciada em 1987 e aprovada pelo FDA em 2002. Nessa técnica, eletrodos são implantados no cérebro e conectados a uma bateria no tórax. A DBS reduz os sintomas motores durante os períodos em que os medicamentos não estão funcionando plenamente (“tempo em OFF”) e permite ajuste fino das doses. Ainda que eficaz, a cirurgia não cura a doença.
Outra técnica disponível no Brasil é a neuroablação por ultrassom focalizado de alta intensidade (HiFU), que permite tratar o tremor sem abrir o crânio. Porém, só atua em um lado do cérebro e melhora apenas o tremor, sem efeito sobre outros sintomas.
Desafios emocionais e sociais após o diagnóstico
Receber o diagnóstico da doença de Parkinson é sempre impactante, independentemente da idade ou ocupação. Muitos pacientes enfrentam um processo de luto, e o apoio psicológico é fundamental para ajudá-los a aceitar a nova condição e manter o cuidado adequado. Negar a doença pode comprometer o tratamento.
Desde os primeiros sintomas, o acompanhamento com fisioterapeutas e fonoaudiólogos especializados é essencial para preservar a independência do paciente. Redes de apoio social — entre familiares, amigos ou outros pacientes — também têm papel importante ao longo da jornada, oferecendo suporte emocional, prático e informativo.