Neurocirurgia

Hérnia de Disco: O Que Mudou no Diagnóstico e na Cirurgia de Coluna

Avanços na medicina oferecem alívio da dor nas costas com procedimentos menos invasivos e recuperação acelerada

Por Prof. Dr. Baltazar Leão , 17/10/2025

3 min de leitura

Hérnia de Disco: O Que Mudou no Diagnóstico e na Cirurgia de Coluna

A hérnia de disco é uma das principais causas de dor nas costas e afeta milhões de brasileiros todos os anos. Ela acontece quando o disco entre as vértebras — que serve de amortecedor — se rompe ou sai do lugar, pressionando os nervos próximos. Os sintomas mais comuns são dor intensa nas costas, irradiação para braços ou pernas, dormência, formigamento e, em casos graves, perda de força muscular. A condição é tão comum que se estima que até 80% da população mundial terá algum episódio de dor lombar ao longo da vida, e boa parte desses casos está relacionada ao desgaste dos discos e à hérnia.

Diagnóstico cada vez mais preciso

O avanço nos exames de imagem revolucionou o diagnóstico da hérnia de disco. Hoje, a ressonância magnética é o exame mais indicado porque mostra com clareza não apenas a existência da hérnia, mas também sua localização, tamanho e os efeitos sobre os nervos. Esse exame permite diferenciar casos que precisam apenas de tratamento clínico daqueles em que a cirurgia é necessária. A tomografia computadorizada e outros exames complementares também são importantes, especialmente em situações mais complexas.

Apesar da tecnologia, o diagnóstico ainda depende principalmente da avaliação do médico: ouvir o que o paciente sente e observar sinais neurológicos continuam sendo passos essenciais. Assim, evita-se indicar cirurgia apenas com base nos exames, já que muita gente tem desgaste nos discos sem sentir dor. A análise cuidadosa garante um tratamento mais personalizado e evita procedimentos desnecessários.

Novas opções de tratamento e avanços na cirurgia

O tratamento para a hérnia de disco evoluiu bastante. Em cerca de 80% dos casos, não é preciso operar: fisioterapia, exercícios, uso de remédios para dor e mudanças no estilo de vida geralmente dão conta do recado. As orientações incluem praticar atividades físicas regularmente, controlar o peso e cuidar da postura no dia a dia.

Quando o tratamento clínico não resolve e o incômodo atrapalha a rotina, a cirurgia passa a ser considerada. É nesse ponto que as novidades mais importantes apareceram. Técnicas menos invasivas, como a microcirurgia e a endoscopia da coluna, permitem retirar a hérnia através de cortes mínimos, preservando as estruturas próximas. Esses métodos resultam em internação mais curta, menos dor depois da operação e recuperação acelerada. Em alguns centros, a cirurgia já pode ser feita em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia.

Outro destaque é o uso de sistemas de navegação e imagens em tempo real na cirurgia, que aumentam a precisão e diminuem os riscos. Pesquisas em andamento buscam ainda novas formas de regenerar os discos desgastados, com o objetivo de manter a saúde da coluna por mais tempo.

A principal mensagem é que a hérnia de disco não precisa ser vista como uma sentença de dor ou limitação. Com diagnóstico correto, tratamento personalizado e métodos modernos, é possível devolver qualidade de vida ao paciente e reduzir bastante o impacto desse problema tão frequente.

Prof. Dr. Baltazar Leão - CRM-MG 44033 | RQE 31846

Neurocirurgião

Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG

Doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais

Membro da Brazil Health