Legado da Ciência

Morre Angelita Habr-Gama, médica que revolucionou o tratamento do câncer de reto

Por Redação Brazil Health , 31/05/2026

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Morre Angelita Habr-Gama, médica que revolucionou o tratamento do câncer de reto

Referência mundial da coloproctologia, professora da USP e pioneira da cirurgia brasileira, Angelita Habr-Gama deixa um legado que transformou a medicina e impactou gerações de profissionais em todo o mundo.

A medicina brasileira perdeu neste sábado (30) uma de suas maiores personalidades. Morreu, aos 93 anos, a cirurgiã Angelita Habr-Gama, referência internacional no tratamento do câncer colorretal e uma das pesquisadoras mais respeitadas da história da medicina nacional. Ela estava internada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, desde o início de maio.

Professora titular emérita da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Angelita foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira de professora titular em uma especialidade cirúrgica da instituição, abrindo caminho para gerações de médicas em um ambiente historicamente dominado por homens.

Filha de imigrantes libaneses e nascida na Ilha de Marajó, no Pará, em 1933, construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo, excelência acadêmica e produção científica de alcance global. Em 2022, passou a integrar a lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo, elaborada pela Universidade Stanford.

Seu nome ficou eternamente associado a uma das maiores mudanças de paradigma no tratamento do câncer de reto. Angelita foi responsável pelo desenvolvimento e consolidação da estratégia conhecida como “Watch and Wait”, abordagem que permite, em casos selecionados, acompanhar pacientes que apresentaram resposta completa à quimiorradioterapia, evitando cirurgias mutiladoras e preservando a qualidade de vida.

O impacto de seus estudos ultrapassou fronteiras e passou a integrar diretrizes internacionais, influenciando centros de tratamento em diversos países. Ao longo de mais de seis décadas de atuação, publicou centenas de trabalhos científicos, formou especialistas, liderou entidades médicas e participou ativamente da construção da coloproctologia brasileira.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) lamentou a morte da médica e destacou sua importância histórica para a oncologia. “Sua contribuição científica mudou a forma como o mundo compreende e trata o câncer de reto, beneficiando milhares de pacientes e influenciando gerações de cirurgiões”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Henrique de Sousa Fernandes.

A SBCO também ressaltou que Angelita deixa um legado permanente na assistência aos pacientes, na pesquisa científica e na formação médica. Para a entidade, sua trajetória continuará inspirando futuras gerações de profissionais da saúde.

Reconhecida mundialmente, Angelita também foi a primeira mulher a ingressar como membro honorário da tradicional American Surgical Association e recebeu diversas homenagens nacionais e internacionais ao longo da carreira. Sua morte representa uma perda irreparável para a medicina, mas sua contribuição seguirá viva na ciência e na vida de milhares de pacientes beneficiados por seu trabalho.

Alexandre Hercules é editor-chefe da Brazil Health