Infectologia

Mudanças no clima elevam casos de doenças respiratórias no outono

A infectologista Dra. Renata de Magalhães Vieira analisa os fatores ambientais típicos da estação e indica hábitos que ajudam a reduzir a exposição a vírus e alérgenos

Por Redação Brazil Health , 02/04/2026

5 min de leitura

Mudanças no clima elevam casos de doenças respiratórias no outono

O outono chegou e, com ele, algumas alterações no clima, na umidade do ar e em nossos hábitos criam um ambiente propício para que vírus, bactérias e alérgenos ganhem terreno sobre o nosso organismo. Por isso, não é infrequente, nessa época, aquela sensação de garganta coçando, nariz escorrendo e noites mal dormidas por causa da tosse. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para se proteger.

Por que o outono favorece as doenças?

A transição entre o verão e o inverno provoca mudanças bruscas de temperatura ao longo do dia e reduz progressivamente a umidade do ar. Esse conjunto afeta diretamente a nossa respiração.

O nariz e a garganta têm uma espécie de "filme protetor" que depende de umidade para funcionar. Com o ar mais seco, essa barreira enfraquece: fica ressecada, menos eficiente para reter vírus e bactérias que inalamos e mais vulnerável a inflamações. É como se a nossa primeira linha de defesa falhasse justamente quando o inimigo está mais próximo.

Além disso, o frio nos estimula a ficarmos mais em ambientes fechados, e estes geram menor circulação de ar, maior concentração de vírus e alérgenos e contato mais prolongado entre pessoas. Assim, nos mais diversos ambientes, os vírus que permaneceriam espalhados no ar livre ficam confinados e circulando no mesmo espaço por um período prolongado.

As doenças mais comuns do outono

Resfriado e gripe

São as queixas mais frequentes desta época. O vírus Influenza e o rinovírus, responsáveis pela maioria dos resfriados comuns, se multiplicam com mais facilidade em ambientes secos e frios. A transmissão por gotículas e superfícies contaminadas se intensifica com o maior tempo que passamos em locais fechados. Mas atenção: gripe e resfriado não são a mesma coisa. O resfriado costuma ser mais leve, com sintomas no nariz e na garganta. A gripe vem com febre alta, dor no corpo inteiro e cansaço intenso, e pode evoluir para complicações sérias, como pneumonia, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Rinite alérgica

Para quem já tem rinite, o outono é uma das épocas mais difíceis. O ar seco, os ácaros e os fungos que se acumulam em ambientes fechados provocam ou pioram as crises. Espirros em salva, coriza, coceira no nariz e nos olhos e nariz entupido são os sinais mais comuns. Dica importante: se os sintomas durarem mais de dez dias ou melhorarem com antialérgico, provavelmente não é resfriado, e sim rinite, e o tratamento é diferente.

Sinusite

Costuma aparecer como consequência de um resfriado mal resolvido ou de uma crise de rinite sem tratamento adequado. Os sintomas incluem dor ou pressão no rosto, secreção nasal espessa, febre baixa persistente e tosse que piora ao deitar-se. Nesses casos, é fundamental buscar avaliação médica.

Asma

Quem tem asma sabe que o outono é um período de alerta. As infecções virais são o principal gatilho das crises, especialmente em crianças. O ar frio e seco também irrita diretamente as vias aéreas. Por isso, mesmo quem está se sentindo bem não deve abandonar o tratamento de manutenção nessa época.

O que fazer para se proteger

A boa notícia é que medidas simples funcionam de verdade:

  • Beba mais água. Com o ar seco, o corpo perde mais líquido pela respiração sem você perceber. Adultos devem tomar ao menos dois litros de água por dia. Crianças e idosos sentem menos sede e precisam de incentivo.
  • Ventile os ambientes, mesmo com frio. Abrir as janelas por dez a quinze minutos pela manhã já renova o ar e reduz a concentração de vírus. Se possível, use umidificador para manter a umidade do ar entre 50% e 60%.
  • Lave as mãos com frequência. Sabão e água por pelo menos vinte segundos continuam sendo uma das formas mais eficazes de evitar infecções respiratórias.
  • Vacine-se contra a gripe. A vacina é especialmente recomendada para crianças menores de cinco anos, gestantes, idosos acima de 60 anos, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde. Consulte seu médico.
  • Cuide do ambiente em casa. Troque a roupa de cama toda semana, use capas antiácaro em colchões e travesseiros e evite tapetes e cortinas grossas nos quartos. Isso reduz muito a exposição aos ácaros.

Quando procurar o médico?

Nem todo sintoma no outono é passageiro. Busque avaliação médica se você tiver:

  • Febre por mais de três dias;
  • Falta de ar ou chiado no peito;
  • Sintomas de rinite que não melhoram com antialérgico ou voltam com frequência e atrapalham o sono;
  • Suspeita de sinusite bacteriana.

O outono não precisa ser sinônimo de doença. Com prevenção, atenção aos sinais do corpo e tratamento correto das condições crônicas, é totalmente possível atravessar essa estação com saúde. E, se os sintomas aparecerem, não espere: o diagnóstico e o tratamento precoces fazem toda a diferença.

Dra. Renata de Magalhães Vieira – CRM-RJ 52.0111872-2 | RQE 28767

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