Infectologia

Hepatites Virais: Prevenção, Tipos e Riscos da Doença Silenciosa

Hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa e atingir o fígado, levando a quadros graves, mas a prevenção e o diagnóstico precoce ajudam a evitar complicações.

Por Dra. Renata de Magalhães Vieira , 04/08/2025

4 min de leitura

Hepatites Virais: Prevenção, Tipos e Riscos da Doença Silenciosa

Infecções causadas por vírus das hepatites A, B, C, D e E afetam o fígado e podem evoluir silenciosamente para quadros graves como cirrose e câncer

As hepatites virais são doenças inflamatórias do fígado causadas por diferentes tipos de vírus, classificados como A, B, C, D e E. Representam um problema de saúde pública global e provocam alterações hepáticas que podem variar de leves a graves.

Na maioria das vezes, as hepatites são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Quando presentes, podem se manifestar como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Formas de transmissão e prevalência no Brasil

No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C. A hepatite D é mais prevalente na região Norte, enquanto a hepatite E é menos frequente, com maior ocorrência na África e na Ásia. As hepatites B e C, em especial, tendem a se tornar crônicas e muitas vezes evoluem de forma assintomática. Como resultado, a infecção pode avançar por décadas sem diagnóstico, comprometendo o fígado e levando a fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer hepático ou necessidade de transplante.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais são responsáveis por aproximadamente 1,4 milhão de mortes por ano em todo o mundo, seja por infecção aguda, câncer ou cirrose hepática.

Entenda os diferentes tipos de hepatites

  • Hepatites A e E: São transmitidas por via fecal-oral — por água e alimentos contaminados — e geralmente têm curso agudo e autolimitado. A recuperação é total na maioria dos casos, mas a hepatite E pode ser fulminante em algumas situações.
  • Hepatites B e C: Transmitidas por contato com sangue e fluidos corporais contaminados. São, muitas vezes, silenciosas nas fases iniciais e, quando não tratadas, podem evoluir para formas graves. O risco de cronificação varia: entre 5% e 10% para a hepatite B e cerca de 85% para a hepatite C.
  • Hepatite D (Delta): Depende da coinfecção com o vírus da hepatite B para se manifestar, podendo agravar o quadro clínico.

Como se prevenir contra as hepatites

Para hepatites A e E:

  • vacinação contra hepatite A (disponível pelo Programa Nacional de Imunizações – PNI)
  • uso de água tratada, clorada ou fervida
  • higienização das mãos antes das refeições e após o uso do banheiro
  • consumo de alimentos bem cozidos
  • evitar alimentos e bebidas de procedência desconhecida
  • não compartilhar copos e talheres

Para hepatites B, C e D:

  • vacinação contra hepatite B (disponível pelo PNI)
  • uso de preservativos em relações sexuais
  • não compartilhar objetos perfurocortantes, como alicates, lâminas ou seringas
  • evitar compartilhar escovas de dente
  • garantir a procedência dos materiais utilizados em tatuagens e piercings

Diagnóstico e tratamento adequados fazem a diferença

O diagnóstico das hepatites virais é feito por meio de exames de sangue que detectam a presença dos vírus ou seus marcadores. As hepatites A e E não possuem tratamento específico — a abordagem é de suporte, focada no alívio dos sintomas. Já as hepatites B e C são tratadas com medicamentos antivirais. No caso da hepatite C, os antivirais de ação direta têm taxa de cura superior a 95%.

O tratamento precoce é essencial para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado, reforçando a importância da testagem regular, especialmente em grupos de risco.

Renata de Magalhães Vieira – CRM/RJ 52.0111872-2 / RQE 28767

Infectologista