Hematologia e Hemoterapia

Linfoma Entenda os Sinais o Diagnóstico e o Tratamento do Câncer Silencioso

Conheça os sintomas mais comuns, fatores de risco, como é feito o diagnóstico e as opções de tratamento para aumentar as chances de cura.

Por Redação Brazil Health , 30/10/2025

4 min de leitura

Linfoma Entenda os Sinais o Diagnóstico e o Tratamento do Câncer Silencioso

O linfoma é um câncer do sistema linfático, parte essencial das defesas do organismo, que surge quando os linfócitos, células responsáveis por combater infecções, passam a se multiplicar de forma descontrolada. No Brasil, mais de 12 mil novos casos são diagnosticados por ano, fazendo dele o oitavo tipo de câncer mais comum, segundo o Instituto Nacional de Câncer.

Hodgkin e não Hodgkin: qual a diferença?

Os linfomas são divididos em dois grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin — referência ao médico que descreveu a doença no século XIX. O grupo não Hodgkin reúne cerca de 80% dos casos e inclui mais de 80 subtipos, cada um com comportamento e tratamento específicos, o que torna indispensável o acompanhamento médico especializado.

Sinais que merecem atenção

Os principais sinais do linfoma incluem aumento persistente de gânglios (conhecidos como "ínguas"), febre prolongada, suor noturno excessivo, cansaço intenso e perda de peso sem causa aparente. O inchaço costuma não causar dor nem vermelhidão e, muitas vezes, é confundido com infecções comuns, o que pode atrasar o diagnóstico. Por isso, é importante observar a duração dos sintomas; se persistirem por semanas, é necessário buscar avaliação médica.

O linfoma pode ocorrer em qualquer idade, mas alguns subtipos são mais frequentes após os 50 anos, quando o sistema imunológico tende a enfraquecer e as células linfáticas podem sofrer alterações com maior facilidade. Entre os fatores de risco estão histórico familiar, baixa imunidade — como em pessoas com doenças autoimunes ou transplantadas — e exposição a certas substâncias, embora a causa exata ainda seja desconhecida. É importante destacar que o linfoma não é contagioso, não é hereditário e não surge apenas por estresse.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por biópsia do linfonodo, na qual ele ou um fragmento é retirado e analisado por um patologista. Exames de imagem, como o PET-CT, ajudam a determinar a extensão da doença, enquanto exames de sangue e, em alguns casos, da medula óssea completam a avaliação. É fundamental que o médico saiba o momento certo de solicitar esses exames, evitando atrasos no diagnóstico.

O tratamento do linfoma depende do subtipo e do estágio da doença. Em alguns casos, basta a observação vigilante, sem intervenção imediata. Quando necessário, usam-se medicamentos que atacam especificamente as células doentes, como quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia. Avanços recentes, como terapias-alvo e a terapia com células CAR-T, ampliaram muito as opções para pacientes cuja doença voltou após o tratamento inicial. Hoje, muitos linfomas têm altas taxas de cura, principalmente quando diagnosticados precocemente, enquanto outros podem ser controlados de forma eficaz, permitindo que os pacientes sigam com saúde e bem-estar. Durante o tratamento, recomenda-se atenção à alimentação, prática de atividades físicas adaptadas, suporte psicológico e acompanhamento multiprofissional. Após a remissão, consultas regulares são essenciais para acompanhar a evolução, identificar possíveis recaídas e controlar efeitos tardios das terapias, garantindo maior equilíbrio físico e emocional a longo prazo.

Para pessoas acima dos 50 anos, grupo mais suscetível à maioria dos linfomas, é importante redobrar a atenção aos sintomas persistentes e manter acompanhamento médico periódico. Informação e diagnóstico precoce continuam sendo as ferramentas mais poderosas para um desfecho positivo.

Danielle Leão é hematologista, especialista em linfomas na Croma Oncologia, rede de saúde especializada que apresenta um modelo inédito de gestão da jornada oncológica.