Ginecologia e Obstetrícia

Trombofilia e Reprodução Humana

A trombofilia pode causar complicações como trombose e afetar a gravidez, mas a investigação só é indicada em casos específicos para garantir cuidados adequados.

Por Dra Fabia Vilarino , 11/08/2025

4 min de leitura

Trombofilia e Reprodução Humana

A trombofilia é uma predisposição a formar coágulos de maneira excessiva.

Nosso sistema de coagulação mantém um equilíbrio para que o sangue coagule quando necessário, como em um ferimento, e não coagule quando estiver circulando nos vasos sanguíneos, levando oxigênio e nutrientes aos órgãos.

Algumas pessoas apresentam alterações nesse sistema de coagulação, o que pode levar à formação de coágulos, dificultando a circulação do sangue e causando problemas como tromboses, embolia, AVC e até complicações na gestação.

Existem dois principais grupos de trombofilias:

  • Hereditárias, ou seja, causadas por mutações genéticas. O indivíduo nasce com essa alteração e pode desenvolver um quadro de trombofilia.
  • Adquiridas, que surgem ao longo da vida, desencadeadas por doenças autoimunes ou por uma síndrome chamada síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAAF).

É importante destacar que o desenvolvimento de tromboses e demais complicações é multifatorial, ou seja, não depende apenas de uma alteração laboratorial, mas também de outros fatores, como tabagismo, obesidade, alterações hormonais, varizes, imobilização ou repouso prolongado, entre outros.

A pesquisa da trombofilia deve ser feita somente com indicação de um especialista, a partir de uma boa história médica associada à solicitação de exames genéticos e marcadores da coagulação.

Como a trombofilia afeta a gravidez e a fertilidade?

Durante a gravidez, o feto é nutrido pela circulação de sangue materno na placenta, que garante oxigênio e nutrição.

Gestantes com trombofilia podem formar trombos, que são coágulos que reduzem ou até impedem essa nutrição e oxigenação, obstruindo os vasos.

Essas obstruções, totais ou parciais, levam a complicações graves, como:

  • Abortamentos espontâneos no início da gravidez
  • Perdas gestacionais tardias
  • Pré-eclâmpsia, que é o aumento da pressão arterial da mãe, levando a riscos maternos e fetais
  • Restrição do crescimento fetal
  • Descolamento da placenta, que pode levar ao óbito do bebê

Em relação à fertilidade, ainda há muitas controvérsias na literatura científica. Não está clara a relação da trombofilia com a infertilidade, mas há uma possível associação com falhas de implantação, ou seja, um aumento da dificuldade para o embrião se fixar no útero durante a fertilização in vitro.

As trombofilias devem ser sempre pesquisadas em mulheres que desejam engravidar?

Sabe-se que nem todas as pessoas com exames alterados para trombofilias desenvolverão complicações. Por isso, as sociedades nacionais e internacionais de hematologia, ginecologia, obstetrícia e reprodução humana não recomendam a realização de exames sem uma indicação clínica adequada.

Isso significa que não se deve solicitar exames para pesquisa da doença se não houver um histórico bem definido, como:

  • Abortos repetidos (mais de dois sem outras causas identificáveis)
  • Complicações graves em gestações anteriores
  • Histórico pessoal de trombose
  • Casos de trombose na família

Os critérios para a indicação da pesquisa são bem específicos para evitar diagnósticos errôneos, o que poderia levar a tratamentos desnecessários e a outros riscos.

Como é feito o tratamento?

Os tratamentos são realizados com anticoagulantes e acompanhamento especializado.

O uso incorreto desses medicamentos pode causar complicações tão graves quanto a própria trombofilia.

A trombofilia é uma condição que deve ser diagnosticada, acompanhada e tratada por um especialista.

É possível minimizar os riscos e ter uma gestação saudável e segura.

A necessidade de pesquisa deve ser criteriosa e seguir as recomendações dos protocolos das sociedades médicas, para evitar diagnósticos equivocados e tratamentos desnecessários.