Quer Ser Mãe, Mas Não Tem Um Bom Parceiro? Congelar Óvulos Pode Ser a Solução
O congelamento de óvulos permite que mulheres ganhem tempo, evitem decisões precipitadas e priorizem relações mais saudáveis sem abrir mão do sonho de ser mãe.
Por Dra. Stephanie Majer , 29/09/2025
4 min de leitura
O desejo de ser mãe, muitas vezes, é acompanhado por um senso de urgência: o tempo passa, a fertilidade diminui com a idade e o medo de “perder a chance” de ter um filho pode levar mulheres a decisões impulsivas, como engravidar com um parceiro instável — ou, como se diz popularmente, com um “embuste”.
Novas possibilidades na construção da maternidade
Esse fenômeno, que mistura biologia, afetividade e padrões sociais, é mais comum do que se imagina. Em muitos casos, a maternidade se transforma em um elo eterno com uma pessoa emocionalmente indisponível, financeiramente ausente ou em meio a uma relação disfuncional. Filhos unem vidas — mesmo após a separação — através de decisões, visitas, mensagens e responsabilidades compartilhadas.
Congelar óvulos: o poder de pausar o tempo
Congelar óvulos oferece uma forma concreta de interromper esse ciclo. Ao preservar a fertilidade com a qualidade atual dos óvulos, a mulher não precisa ceder à pressão imediata de formar uma família, seja com o parceiro atual ou com alguém que ainda não apareceu.
O processo, tecnicamente chamado de criopreservação de oócitos, envolve a estimulação ovariana, coleta dos óvulos e congelamento em nitrogênio líquido. Esses óvulos podem ser usados anos depois, com taxas de sucesso significativamente maiores do que se a mulher aguardasse o envelhecimento natural do corpo.
Mais do que um tratamento médico, o congelamento de óvulos é uma ferramenta de planejamento reprodutivo, emocional e até financeiro. Ele permite que a mulher decida com mais autonomia se deseja esperar um parceiro mais compatível ou, eventualmente, trilhar o caminho da monoparentalidade — quando a maternidade acontece de forma independente.
Informação, autonomia e saúde mental
Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o número de mulheres que buscam o congelamento de óvulos cresceu mais de 150% na última década. No Brasil, muitas clínicas já oferecem programas específicos para esse público, com pacotes acessíveis e acompanhamento psicológico ao longo do processo.
A recomendação médica é que o congelamento seja feito preferencialmente até os 35 anos, quando a quantidade e qualidade dos óvulos ainda são maiores. Mas, mesmo após essa idade, o procedimento pode ser considerado com base em exames como o hormônio antimülleriano (AMH) e o ultrassom para contagem de folículos antrais.
Estudos também revelam que mulheres que congelam óvulos apresentam menores níveis de ansiedade em relação à maternidade e maior satisfação com as decisões tomadas a médio prazo — independentemente de terem ou não utilizado os óvulos posteriormente.
É importante destacar que o congelamento de óvulos não é garantia de gravidez futura. No entanto, representa uma alternativa concreta, segura e validada para ampliar o leque de escolhas femininas.
Em um mundo em que ainda se espera que a mulher concilie sucesso profissional, vida afetiva, juventude e maternidade em prazos muitas vezes irreais, o congelamento de óvulos surge como uma tecnologia libertadora. Oferece planejamento com menos culpa, mais consciência e, acima de tudo, proteção emocional.
Mais do que fertilidade, trata-se de autonomia, saúde mental e liberdade. Congelar óvulos é, de fato, uma atitude de autocuidado. E, em muitos casos, a melhor defesa contra a exposição prolongada a relações que não fazem bem.
Dra. Stephanie Majer CRM SP 174028 RQE 393260
Graduada em Medicina pelo Centro Universitário São Camilo, com especialização em Reprodução Humana no Hospital Pérola Byington e especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic.