Ginecologia e Obstetrícia

Diabetes Gestacional: Entenda os Riscos e Como Prevenir Complicações

O aumento do diabetes gestacional exige atenção ao pré-natal para evitar riscos tanto para mãe quanto para o bebê.

Por Dra. Ana Horovitz , 26/08/2025

3 min de leitura

Diabetes Gestacional: Entenda os Riscos e Como Prevenir Complicações

De acordo com o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, diabetes gestacional é definida como uma condição em que há uma intolerância ao carboidrato desenvolvida durante a gestação.

O diabetes gestacional é uma das principais complicações da gestação, e a ocorrência desta patologia tem aumentado muito nos últimos anos, provavelmente devido ao aumento da idade materna, à crescente obesidade e às mudanças no rastreamento diagnóstico.

O diabetes é essencialmente o aumento das taxas de glicose na corrente sanguínea materna, levando a uma consequente elevação da glicose também na circulação fetal.

Os principais fatores de risco são:

  • Diabetes gestacional em gestação anterior
  • Histórico familiar de diabetes, especialmente em parentes de primeiro grau
  • Síndrome do ovário policístico
  • Idade materna acima de 35 anos
  • IMC maior que 30 (obesidade)
  • Parto anterior com bebê maior que 4 kg

Para mulheres com fatores de risco, principalmente aquelas que já tiveram diabetes gestacional ou obesidade, devem ser oferecidas intervenções com o objetivo de diminuir a resistência à insulina. Deve-se estimular a modificação da dieta, incentivar a atividade física e promover a cessação do tabagismo.

O rastreamento para esta doença se inicia na coleta da glicemia de jejum, realizada no primeiro exame de sangue da gestante. De acordo com o Manual de Rastreamento de Diabetes do Ministério da Saúde, considera-se que o teste com melhor sensibilidade e especificidade para o diagnóstico é a curva glicêmica. Realizado entre 24 e 28 semanas de gestação, neste exame é colhida a glicemia de jejum; na sequência, a gestante ingere um líquido com uma quantidade exata de açúcar (75 gramas) e, novamente, a glicemia é dosada após 1 e 2 horas. O exame é considerado alterado quando o valor está superior ao de referência em qualquer uma das três medidas.

Após o diagnóstico, é prescrita uma dieta com controle de açúcares, privilegiando carboidratos integrais e de baixo índice glicêmico.

A gestante, então, segue acompanhando seus índices de glicose em casa. Este monitoramento pode ser realizado de forma intermitente ou contínua, com o auxílio de um sensor que se conecta ao braço da paciente. Entre 60% e 70% das gestantes conseguirão o controle glicêmico com dieta e atividade física. Eventualmente, pode ser necessário tratamento com insulinoterapia.

O diabetes gestacional não tratado ou mal controlado pode resultar em uma série de complicações para a mãe e para o bebê. As complicações maternas incluem maior risco de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, parto cesáreo e complicações no pós-parto, como hemorragias.

Para o feto, o diabetes gestacional pode causar crescimento fetal excessivo (macrossomia), o que aumenta o risco de parto prematuro, lesões durante o parto e, em casos mais graves, a morte fetal. Além disso, o bebê pode nascer com níveis elevados de glicose no sangue, o que pode levar à hipoglicemia neonatal e o torna mais predisposto ao desenvolvimento de obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta.

A prevenção e o manejo adequado do diabetes gestacional, realizados durante o pré-natal, são, portanto, essenciais para reduzir os riscos associados a essa condição no Brasil e no mundo.