Gastroenterologia

Teste respiratório detecta alterações intestinais em mulheres com endometriose

Pesquisa identificou alta frequência de alterações na microbiota intestinal e no trânsito intestinal em mulheres com endometriose, reforçando a relação entre a doença e sintomas como estufamento abdominal, gases, constipação e dor digestiva.

Por Redação Brazil Health , 13/06/2026

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Teste respiratório detecta alterações intestinais em mulheres com endometriose

Dor pélvica, estufamento abdominal, constipação e gases fazem parte da rotina de muitas mulheres com endometriose, doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e que pode levar anos para ser diagnosticada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela afeta cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, e o tempo médio até o diagnóstico varia entre quatro e 12 anos.

Mas o que vem chamando atenção da comunidade científica é que esses sintomas podem não estar relacionados apenas à doença ginecológica, mas também a alterações importantes no funcionamento do intestino. Um estudo de caso recente publicado no International Journal of Gynecology & Obstetrics reforça essa conexão ao mostrar alta prevalência de alterações intestinais em mulheres com endometriose. Os pesquisadores usaram um exame, o teste respiratório, um método não invasivo, que analisa o ar expirado após a ingestão de uma substância específica, para medir a produção de gases (hidrogênio e metano).

O que o teste respiratório pode apontar

Esse teste ajuda a identificar alterações, como o supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO) e o excesso de metanogênicos intestinais (IMO), condições associadas ao desequilíbrio da microbiota e que podem provocar exatamente sintomas como estufamento abdominal, excesso de gases, constipação, diarreia e dor abdominal. Investiga ainda intolerâncias alimentares e dificuldades de absorção relacionadas a substâncias como lactose, frutose, frutano, sacarose, sorbitol, xilitol e D-xilose.

A pesquisa identificou que 91,9% das pacientes apresentaram resultado positivo para SIBO ou IMO e apontou trânsito intestinal alterado em 85,8% dos casos, contra 71% no grupo sem diagnóstico da doença. Já a constipação atingiu 67,8% das pacientes com endometriose, frente a 44,7% das demais participantes.

Microbioma, inflamação e dor

Esses achados reforçam o papel do microbioma no quadro clínico da doença. O microbioma corresponde ao conjunto de micro-organismos que habitam o intestino e participam de funções essenciais, incluindo digestão, metabolismo e resposta imunológica. Quando ocorre desequilíbrio, os sintomas podem se intensificar, contribuir para um estado inflamatório persistente e agravar as dores de quem convive com endometriose.

A pesquisa também mostrou predominância de metano, gás produzido no intestino e que pode estar associado à lentidão do trânsito intestinal e à constipação, em 63,2% das pacientes com a condição.

Os próprios autores do estudo destacam que a investigação por meio do teste respiratório deve ser considerada em pacientes com endometriose, especialmente diante da alta frequência de sintomas gastrointestinais associados à doença. Esse tipo de rastreamento tende a ampliar o uso dessa tecnologia na prática clínica, incluindo aquelas que hoje já são capazes de realizar medição tripla de gases intestinais, como hidrogênio, metano e sulfeto de hidrogênio. A identificação do gás predominante ajuda a compreender melhor o padrão de cada paciente e pode contribuir para abordagens mais direcionadas.

E a relação entre intestino, microbioma e inflamação reforça uma visão mais ampla da endometriose, que deixa de ser entendida apenas como uma condição ginecológica isolada e passa a exigir uma abordagem mais integrada da saúde feminina.

Dra. Hérika Ferreira - CRM-SP 179473 | RQE 95705 e 96878

Gastroenterologista e hepatologista