Cardiologia

Cardiologista explica 6 primeiros socorros em casos de dor no peito

Saiba como agir nos primeiros minutos diante da suspeita de infarto e quais medidas imediatas podem salvar vidas e reduzir danos ao coração

Por Prof. Dr. Carlos Alberto Pastore , 23/04/2026

3 min de leitura

Cardiologista explica 6 primeiros socorros em casos de dor no peito

A dor no peito ainda é um dos sintomas mais temidos na medicina – e com razão. Em muitos casos, ela pode indicar um infarto, uma condição grave que exige ação imediata e organizada. Saber como agir nos primeiros minutos não apenas aumenta as chances de sobrevivência, como também reduz o risco de sequelas permanentes no coração.

Embora nem toda dor no peito seja de origem cardíaca, é fundamental tratar qualquer suspeita com seriedade. Isso porque o intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento médico – conhecido como “tempo porta-balão” – é um dos principais determinantes do prognóstico.

A seguir, os seis primeiros socorros recomendados por cardiologistas diante de um possível quadro de infarto:

• Mantenha a pessoa em repouso

Evite qualquer esforço físico. O ideal é que a pessoa permaneça sentada, levemente inclinada, ou deitada com a cabeceira elevada, reduzindo a sobrecarga do coração e o consumo de oxigênio pelo organismo.

• Acione imediatamente o serviço de emergência (192)

Não tente “esperar para ver se melhora”. Muitos infartos começam com sintomas leves e evoluem rapidamente. O atendimento precoce permite intervenções ainda na ambulância, o que pode ser decisivo.

• Afrouxe roupas apertadas

Gravatas, cintos ou peças justas podem aumentar o desconforto e a sensação de sufocamento. Pequenas medidas de conforto ajudam também a reduzir a ansiedade, que pode agravar o quadro.

• Observe os sintomas com atenção

Dor em aperto ou pressão no peito, com irradiação para braço, mandíbula ou costas, além de suor frio, náusea, tontura e falta de ar, são sinais clássicos. Em idosos, mulheres e diabéticos, os sintomas podem ser mais discretos, o que exige ainda mais atenção.

• Não ofereça alimentos ou bebidas

Evite qualquer ingestão, pois pode haver necessidade de procedimentos urgentes. Além disso, náuseas e vômitos são comuns nesses quadros, aumentando o risco de aspiração.

• Evite medicações sem orientação médica

A aspirina pode ser indicada em alguns casos por ajudar a reduzir a formação de coágulos, mas seu uso deve ser criterioso. Em pessoas com histórico de alergia, sangramentos ou dúvidas diagnósticas, a automedicação pode trazer riscos.

Um ponto crucial é nunca deixar a pessoa sozinha. O acompanhamento contínuo permite identificar rapidamente sinais de piora, como perda de consciência ou parada cardíaca, situação em que pode ser necessário iniciar manobras de reanimação.

Na prática clínica, os especialistas costumam repetir uma máxima importante: tempo é músculo. Isso significa que cada minuto de atraso no atendimento pode representar uma área maior do coração comprometida de forma irreversível.

Outro erro comum é tentar levar a pessoa ao hospital por conta própria. Sempre que possível, o transporte deve ser feito por uma equipe de emergência, preparada para intervir durante o trajeto.

Diante de qualquer dúvida, a recomendação é clara: trate como emergência. Em casos de dor no peito, agir rápido não é excesso de zelo – é uma decisão que pode salvar vidas.

Prof. Dr. Carlos Alberto Pastore - CRM: 24.264/SP | RQE: 69372

Cardiologista

Doutorado em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Livre-docente pela FMUSP desde 2004.

Membro Brazil Health