Aneurisma de aorta abdominal: a “bomba-relógio” silenciosa que pode ser detectada a tempo
O aneurisma de aorta abdominal pode crescer por anos sem causar sintomas. Quando se rompe, é uma emergência grave. A boa notícia é que, em muitos casos, ele pode ser identificado antes – e tratado com segurança.
Por Dra. Andréa Klepacz , 12/07/2026
3 min de leitura
A aorta é a principal artéria do corpo. Quando ocorre uma dilatação localizada em sua parede, forma-se o chamado aneurisma. No abdômen, esse problema costuma evoluir de forma silenciosa, sem dor ou sinais claros, o que explica por que muitas pessoas convivem com a condição sem saber.
O risco maior está justamente nessa ausência de sintomas. Em fases avançadas, o aneurisma pode se romper, causando hemorragia interna grave e alto risco de morte.
Uma doença que não avisa
Na maioria dos casos, o aneurisma de aorta abdominal não causa sintomas até atingir um tamanho significativo. Eventualmente, pode haver dor abdominal ou lombar, sensação de pulsação no abdômen ou desconforto inespecífico, mas esses sinais não são frequentes.
Por isso, muitos diagnósticos acontecem de forma incidental, durante exames realizados por outros motivos.
Quando ocorre a ruptura, o quadro é súbito e grave, com dor intensa e queda da pressão arterial, exigindo atendimento imediato.
Quem está em maior risco
O aneurisma de aorta abdominal é mais comum em homens acima de 65 anos, especialmente aqueles com histórico de tabagismo. O cigarro é um dos principais fatores de risco, pois contribui para o enfraquecimento da parede arterial.
Outros fatores também aumentam o risco, como hipertensão, colesterol elevado, histórico familiar e doenças cardiovasculares.
Embora menos frequente, o problema também pode ocorrer em mulheres, especialmente na presença desses fatores.
Identificar o perfil de risco é fundamental para direcionar o rastreamento.
Rastreamento que pode salvar vidas
O ultrassom abdominal é o principal exame para detectar o aneurisma de forma precoce. Trata-se de um método simples, não invasivo e acessível, capaz de identificar a dilatação da aorta antes que ela represente risco imediato.
Diretrizes internacionais recomendam a realização de pelo menos um ultrassom de rastreamento em homens a partir dos 65 anos, especialmente se houver histórico de tabagismo.
Quando o aneurisma é identificado, o acompanhamento depende do seu tamanho. Em fases iniciais, pode ser apenas monitorado. Já em casos maiores ou com risco aumentado de ruptura, o tratamento pode ser indicado, incluindo cirurgia aberta ou técnicas endovasculares.
O aneurisma de aorta abdominal é um exemplo claro de como uma doença silenciosa pode ser fatal – mas também de como a medicina preventiva pode mudar esse desfecho.
Detectar antes de romper é o que faz a diferença.
Dra. Andréa Klepacz - CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgiã vascular
Membro da Brazil Health