Angiologia e Cirurgia Vascular

Dor na Perna Não é Normal: Quando Sinais Simples Podem Indicar Risco de Trombose

Mal interpretada como algo passageiro, a dor na perna pode indicar riscos sérios à saúde vascular e exige avaliação médica rápida.

Por Dra. Andréa Klepacz , 22/09/2025

6 min de leitura

Dor na Perna Não é Normal: Quando Sinais Simples Podem Indicar Risco de Trombose

A dor na perna é uma queixa comum, facilmente atribuída a diversos fatores, como atividades físicas intensas, posturas inadequadas ou até mesmo o cansaço do dia a dia. No entanto, esse sintoma não deve ser ignorado, pois pode indicar algo mais sério, como a trombose venosa profunda (TVP). Essa condição ocorre quando um coágulo se forma nas veias profundas das pernas, representando riscos significativos, inclusive a embolia pulmonar.

Como reconhecer sinais de trombose venosa profunda

A identificação precoce dos sinais e sintomas da trombose venosa profunda pode ser crucial para evitar complicações graves. Veja alguns dos primeiros sinais que devem ser observados:

  • Dor na perna: A dor associada à TVP geralmente aparece na panturrilha ou na coxa. Pode ser descrita como uma dor constante ou um peso na perna afetada. O desconforto costuma surgir de forma súbita, não melhora com o repouso e pode vir acompanhado de sensação de calor.
  • Inchaço: O inchaço na perna afetada é um sinal característico da trombose. Normalmente, ocorre em apenas uma das pernas e pode ser localizado na panturrilha ou na coxa. É provocado pela acumulação de líquidos e pela obstrução do fluxo sanguíneo.
  • Mudança na cor da pele: A pele da região afetada pode ficar avermelhada ou apresentar uma tonalidade mais escura em comparação com a perna saudável, devido à inflamação e ao aumento do fluxo sanguíneo local.
  • Aumento da temperatura local: A região afetada pode tornar-se mais quente ao toque do que a perna não afetada, resultado da inflamação.

Esses sinais não devem ser ignorados. Se você ou alguém próximo apresentar sintomas como esses, é fundamental buscar atendimento médico imediatamente. O diagnóstico precoce é essencial para um tratamento eficaz e para a prevenção de complicações, como a embolia pulmonar.

Fatores de risco associados à trombose

A trombose venosa profunda pode ocorrer por diversos motivos, e certos fatores aumentam o risco de desenvolvê-la.

  • Sedentarismo: A falta de atividade física regular é um dos principais fatores de risco para a TVP. Permanecer sentado ou em pé por longos períodos pode prejudicar o fluxo sanguíneo nas pernas, sendo comum em quem viaja muito ou trabalha sem se movimentar.
  • Uso de pílulas anticoncepcionais: Mulheres que usam anticoncepcionais, especialmente os que contêm estrogênio, apresentam maior risco, pois os hormônios podem alterar a coagulação sanguínea.
  • Gravidez: As mudanças fisiológicas da gestação aumentam a pressão nas veias e elevam a coagulação do sangue, aumentando o risco de TVP.
  • Histórico familiar: Ter familiares com histórico de trombose ou distúrbios de coagulação eleva o risco. Pacientes nessa condição devem informar os médicos para acompanhamento adequado.
  • Obesidade: O excesso de peso aumenta a pressão nas veias das pernas, atrapalhando o fluxo sanguíneo. A obesidade é um fator de risco bem estabelecido.
  • Lesões ou cirurgias: Procedimentos cirúrgicos, especialmente na pelve ou extremidades, assim como lesões nas pernas e períodos prolongados de repouso pós-cirurgia, aumentam o risco de coágulos.
  • Idade avançada: Pessoas com mais de 60 anos têm mais propensão a desenvolver TVP, já que as veias ficam menos elásticas e mais suscetíveis a obstruções.

Compreender esses fatores permite a adoção de medidas preventivas e a busca por orientação médica sempre que necessário.

Trombose não escolhe idade: jovens também estão em risco

Diferentemente do que muitos acreditam, a trombose venosa profunda não atinge apenas idosos ou pessoas sedentárias. Jovens e pessoas ativas também podem ser acometidos pela doença. Veja por que isso ocorre:

  • Sedentarismo temporário: Longos períodos de inatividade afetam todas as idades. Jovens que passam muito tempo sentados em aulas, no trabalho ou em viagens prolongadas também correm risco.
  • Atividades intensas: Atletas e praticantes de esportes de alta intensidade podem sofrer lesões nas pernas, aumentando o risco de coagulação anormal. A desidratação também pode contribuir para o problema.
  • Uso de hormônios: Jovens que utilizam contraceptivos hormonais, especialmente aqueles com estrogênio, têm risco elevado. O uso indiscriminado de hormônios para fins estéticos em homens e mulheres também aumenta o número de casos entre os mais jovens.
  • Estilo de vida: Hábitos como fumar, alimentação inadequada e ganho de peso aumentam o risco de TVP, mesmo em pessoas jovens e ativas.
  • Condições de saúde: Distúrbios hereditários de coagulação presentes em jovens e a obesidade também merecem atenção e monitoramento.

É fundamental que jovens e pessoas ativas estejam atentos aos sinais da trombose venosa profunda e aos fatores de risco relacionados. A conscientização viabiliza intervenções precoces, preservando a saúde vascular.

Como prevenir a trombose venosa profunda

A prevenção da trombose venosa profunda é viável e deve ser uma prioridade para quem pertence a grupos de risco. Algumas estratégias eficazes incluem:

  • Movimentação regular: Para quem trabalha longos períodos sentado ou em pé, é fundamental fazer pausas frequentes para se levantar e movimentar as pernas. Recomenda-se levantar-se a cada 30 minutos para estimular a circulação.
  • Exercício físico regular: A prática consistente de atividades aeróbicas, como caminhadas, natação ou ciclismo, é benéfica para a saúde vascular.
  • Uso de meias de compressão: Para pessoas com maior risco, o uso de meias de compressão pode ajudar a manter o fluxo sanguíneo e prevenir a formação de coágulos.
  • Hidratação adequada: Manter-se bem hidratado é essencial para prevenir a coagulação excessiva, especialmente em dias quentes ou durante exercício intenso.
  • Evitar fumar: O tabagismo contribui para várias doenças, incluindo a trombose. Parar de fumar traz benefícios diretos à saúde vascular.
  • Consultas médicas regulares: Pessoas com histórico familiar de trombose ou que fazem uso de anticoncepcionais hormonais devem consultar um médico regularmente para acompanhamento e orientações preventivas.

A dor na perna não deve ser tratada como algo normal, principalmente quando acompanhada por outros sinais de alerta para trombose venosa profunda. Identificar precocemente os sintomas e conhecer os fatores de risco são passos essenciais para prevenir complicações graves. Embora a trombose possa afetar qualquer pessoa, a prevenção e o tratamento adequados são aliados essenciais para manter a saúde vascular.

Se você estiver sentindo dor nas pernas, inchaço ou outros sintomas mencionados, procure um profissional de saúde sem demora. O diagnóstico precoce e a intervenção médica adequada são fundamentais para evitar complicações graves, como a embolia pulmonar. A saúde das suas pernas e a sua qualidade de vida merecem toda a atenção.

Andréa Klepacz (CREMESP 128.575 / RQE 51419)

Cirurgiã vascular e membro da Brazil Health