Angiologia e Cirurgia Vascular

Câncer e trombose: o risco que precisa ser prevenido durante o tratamento oncológico

Pacientes com câncer têm maior risco de formar coágulos no sangue, especialmente durante cirurgias, quimioterapia ou períodos de menor mobilidade. Reconhecer esse risco desde o diagnóstico é parte essencial do cuidado oncológico.

Por Dra. Andréa Klepacz , 23/06/2026

3 min de leitura

Câncer e trombose: o risco que precisa ser prevenido durante o tratamento oncológico

A trombose é uma das complicações mais importantes em pacientes com câncer. Ela ocorre quando há formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos, geralmente nas veias profundas das pernas. Em alguns casos, esse coágulo pode se deslocar até os pulmões, causando embolia pulmonar – uma condição grave e potencialmente fatal.

O câncer aumenta esse risco por diferentes mecanismos. O próprio tumor pode ativar substâncias inflamatórias e pró-coagulantes no organismo, tornando o sangue mais propenso à formação de coágulos. Além disso, cirurgias, internações, quimioterapia, uso de cateteres e períodos de imobilidade contribuem para elevar ainda mais essa vulnerabilidade.

Por que o câncer favorece a trombose

A relação entre câncer e trombose é bem conhecida na medicina. Tumores podem alterar o equilíbrio natural da coagulação, criando um estado de maior tendência à formação de trombos.

Esse risco varia de acordo com o tipo de câncer, o estágio da doença, o tratamento utilizado e as condições individuais do paciente. Alguns tumores, como os de pâncreas, estômago, pulmão, ovário e cérebro, estão entre os mais associados a eventos trombóticos.

Pacientes em quimioterapia ou submetidos a cirurgias oncológicas também merecem atenção especial, pois esses momentos aumentam o risco de complicações vasculares.

Prevenção deve fazer parte do tratamento

A trombose não deve ser vista como um evento imprevisível e inevitável. Em muitos casos, é possível identificar pacientes de maior risco e adotar medidas preventivas.

Isso inclui avaliação clínica desde o diagnóstico, estímulo à mobilidade quando possível, hidratação adequada, atenção e cuidados específicos ao uso de cateteres e, uso de meias de compressão e dispositivos específicos como a compressão pneumática intermitente durante internações e em pacientes selecionados, uso de medicamentos anticoagulantes preventivos.

A decisão sobre prevenção deve ser individualizada, pois é necessário equilibrar o risco de trombose com o risco de sangramentos. Por isso, o acompanhamento conjunto entre oncologistas, cirurgiões vasculares e clínicos é fundamental.

Sinais que não podem ser ignorados

Pacientes oncológicos e familiares devem conhecer os sinais de alerta. Dor ou inchaço em apenas uma perna, vermelhidão, calor local e sensação de peso podem indicar trombose venosa profunda. No caso dos pacientes em uso de catéter para quimioterapia, os sinais são os mesmos porém podem aparecer nos braços.

Já falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, palpitações ou desmaio podem sugerir embolia pulmonar e exigem atendimento imediato.

Durante o tratamento do câncer, sintomas novos não devem ser minimizados. Quanto mais cedo a trombose é diagnosticada, maiores são as chances de tratamento eficaz e redução de complicações.

Cuidar do câncer também significa prevenir riscos associados ao tratamento e à própria doença. A trombose é um desses riscos silenciosos – e precisa estar no radar desde o início da jornada oncológica.

Dra. Andréa Klepacz - CRM/SP 128.575 | RQE 51419

Cirurgiã vascular

Membro da Brazil Health