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Desmistificando os Remédios para Obesidade

Dr. Marcio C. Mancini, Endocrinologia e Metabologia
Publicado em 12/10/2017 - Atualizado em 26/10/2017


MITOS e VERDADES sobre Remédios para Emagrecer

 “A obesidade é apenas um fator de risco para outras doenças como pressão alta e diabetes e o tratamento envolve apenas mudança de hábitos e a escolha individual de hábitos saudáveis corrige o problema” é um MITO. Na VERDADE, a obesidade é considerada pelas sociedades médicas da especialidade uma doença, que tem complicações que vão desde pressão alta e diabetes até mesmo vários tipos de câncer, apneia do sono, depressão e doenças articulares. OUTRA VERDADE é que o ambiente moderno oferece alimentos hipercalóricos e a atividade física no cotidiano é reduzida. Atualmente sabe-se que, expostas a esse ambiente, algumas pessoas têm predisposição a ganhar peso pela genética individual e outras são resistentes ao aumento de peso.

 O tratamento da obesidade envolve vários profissionais, como o médico especialista, geralmente endocrinologista, o nutricionista e o educador físico, entre outros. A orientação das mudanças de hábito de vida deve ser individualizada de acordo com a história do paciente.

 “Emagrecer de forma saudável significa emagrecer sem usar remédios” é uma frase comum, usada até mesmo por celebridades em propaganda de shakes e de fitoterápicos, mas é um grande MITO. O conhecimento adquirido sobre a regulação do apetite nas últimas décadas permitiu o desenvolvimento de medicamentos modernos e seguros, tratando a obesidade como uma doença crônica, da mesma forma que se trata de pressão alta, colesterol alto ou diabetes. Os remédios devem ser sempre utilizados junto com a orientação das mudanças de hábito de vida.

 “Remédio para emagrecer não presta, porque quando a pessoa para de tomar ela engorda de novo” é uma frase comum, mas um grandíssimo MITO! A VERDADE é que não existe nenhum remédio para doenças crônicas que é usado por algumas semanas ou meses e que “cura” a doença. Se a predisposição a aumentar de peso foi controlada e revertida com o tratamento, uma vez interrompido, é natural que o peso volte a aumentar. Você alguma vez ouviu alguém dizer que “remédio para pressão alta não presta, porque se a pessoa para de tomar a pressão sobe de novo”?

 A afirmação de que 90% das pessoas que perdem peso voltam a engordar novamente” é verdadeira, mas o que acontece é o abandono de tratamento. Quem abandona o tratamento da hipertensão verá os níveis de pressão arterial se elevarem; os que abandonam o tratamento do colesterol alto, terão aumento dos valores de colesterol no próximo exame; o mesmo acontece com a glicose no sangue das pessoas com diabetes que deixam de se tratar: pois com o sobrepeso e a obesidade ocorre o mesmo: o efeito sanfona reflete o abandono do tratamento (ou seja, obesidade é uma doença crônica que precisa ser tratada e monitorada por toda a vida).

 A pessoas com peso excessivo devem ter o seu diagnóstico estabelecido e devem ser encaminhadas o mais cedo possível para impedir a progressão e o agravamento da doença. Isso significa que o pediatra, o clínico geral, o cardiologista, o ginecologista (e outros médicos) devem pesar, medir a altura dos pacientes e verificar se o peso está adequado ou não. Os pacientes com excesso de peso devem ser reconhecidos e encaminhados sem atraso para tratamento. É um MITO, por exemplo, achar que uma criança que está acima do peso “vai resolver isso quando entrar na puberdade e não tem problemas de saúde”. A VERDADE é que a maioria delas estará com mais peso ainda na puberdade e acaba entrando na idade adulta com obesidade. As mesmas doenças o risco de doenças que o adulto que sofre de obesidade tem são compartilhadas pelas crianças com excesso de peso.

 “Somente pessoas com obesidade grave merecem fazer um tratamento que utiliza remédios” é um MITO. A VERDADE é que o tratamento com remédios já está indicado em pessoas com excesso de peso (ou “sobrepeso”) quando existir algum problema de saúde relacionado (como por exemplo, gordura no fígado, dor nos joelhos ou glicose alterada). Já apresentam sobrepeso pessoas com altura de 170 cm e 75 kg ou com 160 cm e 65 kg, para dar dois exemplos práticos. Se o quadro for mais grave e o indivíduo tiver obesidade (para as mesmas estaturas seria um peso de 87 kg e de 77 kg, por exemplo), não há necessidade de doença associada.

 “O tratamento da obesidade é um tratamento estético” é MITO. A VERDADE é que o objetivo do tratamento é a perda de mais ou menos 10% do peso (às vezes bem mais que isso) e manter essa perda a longo prazo, que é um valor mínimo que promove melhora na saúde. Se houver uma satisfação com a estética, é um benefício adicional, mas os alvos do tratamento não são baseados nisso.

 “Tratando da obesidade, posso reduzir remédios para outras doenças” é uma VERDADE que incentiva o tratamento do peso excessivo. Entre os hipertensos, 80% apresentam excesso de peso e entre os diabéticos, 90%! A perda e manutenção do peso perdido pode fazer com que vários remédios para outras doenças possam ter a dosagem reduzida ou possam até mesmo ser suspensos. Tratar a obesidade é custo-efetivo do ponto de vista da saúde pública.

 “Sibutramina pode causar dependência” é um MITO! Sibutramina foi lançada no Brasil há quase 20 anos e sempre foi vendida com receita em duas vias (Receituário “C”, o mesmo que se utiliza atualmente para prescrição de antibióticos e também de antidepressivos), até 2010, quando a ANVISA “para melhorar o controle de venda” da sibutramina, mudou as regras, passando-a para prescrição em Notificação de Receita B2. A partir de então, a sibutramina recebeu gratuitamente A na caixa os dizeres: "O Abuso deste Medicamento pode causar Dependência", o que não corresponde à VERDADE e nunca foi demonstrado. A VERDADE é que isso colabora para a estigmatização do tratamento da obesidade.

 “A sibutramina é contraindicada em pacientes com diabetes e em hipertensos” é um MITO. Nenhum estudo demonstrou uma contraindicação absoluta de uso nesses pacientes. Vários estudos foram realizados em normotensos, em hipertensos e em diabéticos, demonstrando segurança de uso. Nesses estudos, os pacientes tiveram, em média, uma elevação mínima da pressão arterial e uma redução discreta da glicose no sangue, mas bons respondedores à medicação tiveram até mesmo redução da pressão arterial. A VERDADE é que a contraindicação da utilização de sibutramina existe no tratamento de pacientes com obesidade, diabetes e doença coronariana ou derrame, mas também nos pacientes nos quais a hipertensão não está controlada. É VERDADE também, que pacientes com má resposta inicial à sibutramina, que não perdem pelo menos 2 kg nas primeiras 4 semanas devem ter o tratamento interrompido ou a dose aumentada, a critério do médico.

 O tratamento da obesidade com orlistate reduz a absorção da gordura dos alimentos e pode levar a redução de peso, melhora de diabetes e redução do colesterol. O orlistate pode ser usado em adolescentes. O uso prolongado de orlistate deve ser acompanhado de reposição de vitaminas.

 A liraglutida é uma medicação injetável que promove uma redução do apetite nos centros cerebrais que regulam a fome, sem outros efeitos indesejáveis no sistema nervoso. É VERDADE também, que pacientes com má resposta inicial à liraglutida, que não perdem pelo menos 5% do peso inicial depois de 16 semanas do início do tratamento terão pouco benefício com sua manutenção.

 “Remédios para emagrecer normalmente são fórmulas com associações de drogas aviadas em farmácias de manipulação” é um MITO. Pode até ser comum, mas a VERDADE é que não é o normal. A VERDADE é que a prescrição de múltiplas drogas manipuladas numa cápsula devem ser evitadas e podem ser prejudiciais. Por isso, há quase 20 anos o Conselho Federal de Medicina proíbe o médico de prescrever fórmulas com associação de remédios inibidores de apetite, calmantes, laxativos, diuréticos e hormônios.

 A cirurgia bariátrica tem indicação em pacientes com obesidade grave (por exemplo, pacientes com 160 cm de altura e mais que 103 kg ou 170 cm e mais que 116 kg) ou em pacientes com obesidade não tão grave (os mesmos exemplos com mais que 90 kg e mais que 102 kg) desde que tenham uma doença grave causada ou agravada pela obesidade. Em qualquer dos casos, a VERDADE é que um critério de indicação de acordo com o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde é a “falência do tratamento clínico da obesidade”. Portanto, nenhum paciente que nunca foi submetido a um tratamento com medicamentos e mudança de estilo de vida deve ser submetido a uma cirurgia bariátrica.

 “Depois de operar o estômago, deixarei de ter problemas com o peso” é um MITO. A vigilância com o peso deve ser constante, e além disso a supervisão das doenças passadas e de deficiências de vitaminas e minerais. A VERDADE é que não são poucos os pacientes que têm recorrência do peso e de doenças antigas que tinham desaparecido. Além disso, a negligência em tomar as vitaminas e minerais depois de operar pode levar a complicações graves, como anemia, perda de massa óssea e fraturas, enfraquecimento de cabelos, unhas e nervos por falta de vitaminas e minerais. O acompanhamento depois de uma cirurgia bariátrica deve durar a vida toda.

 

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