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Como prevenir e tratar a Obesidade?

Dr. Maurício Hirata, Endocrinologia e Metabologia
Publicado em 08/10/2017 - Atualizado em 19/10/2017


Diagnóstico

O diagnóstico da obesidade é relativamente fácil e até intuitivo. O consagrado Índice de Massa Corpórea (IMC) demonstra que uma pessoa é considerada obesa quando o seu peso dividido pela sua altura ao quadrado é igual ou superior a 30. Entretanto, esta fórmula não contempla variáveis que influenciam diretamente na escala relativa à obesidade, podendo mascarar o resultado e dificultar o diagnóstico.

       

As pessoas com excesso de massa muscular, por exemplo, podem apresentar o IMC elevado, enquanto os que possuem baixo nível de massa magra podem configurar como IMC normal, mesmo tendo o percentual de gordura corporal elevado. Os exames de bioimpedância ou densitometria de corpo inteiro (DEXA), ao considerar as variáveis não previstas pelo IMC, possibilitam um diagnóstico mais completo e confiável.

Importante destacar que a história do 'Falso Magro' é real. Geralmente são indivíduos magros que além de uma barriguinha saliente, apresentam todos os fatores de risco de pessoas obesas, a saber, câncer (hoje são associados pelo menos 13 tipos), diabetes e infarto, entre outros. Para piorar ainda mais a situação, o tratamento para o Falso Magro é mais penoso, pois requer o aumento da massa muscular.

Causas e Fatores

Quando atendo pacientes pela primeira vez em meu consultório, frequentemente ouço a alegação de que estão obesos, porque não tem “vergonha na cara”, o que revela um preconceito completamente equivocado, visto que a obesidade é uma doença com múltiplas causas.

Obviamente, os hábitos alimentares estão entre os principais fatores que levam à obesidade, no entanto, todos nós conhecemos várias pessoas que comem muito e não engordam. O metabolismo energético do nosso corpo, ou seja, a capacidade de queimar calorias (alto ou baixo), ainda é pouco entendido, mas certamente influi no surgimento da doença.

                             

Hereditariedade, causas hormonais, menopausa, andropausa, problemas de tireoide, diabetes e pré-diabetes também são causas importantes de obesidade e devem ser avaliados em conjunto com os motivos que levam o paciente a comer mais do que devia, como a ansiedade, o stress e a compulsão alimentar.

Tratamento

Em um futuro bem próximo o tratamento da obesidade não se resumirá a reduzir o apetite, sendo que grande parte dos estudos atuais são baseados nas causas da doença para o desenvolvimento de novos métodos clínicos e medicações. A obesidade é uma doença crônica e incurável, que deve ter acompanhamento médico em longo prazo, com tratamentos que podem ser medicamentosos ou cirúrgicos.

A mudança do estilo de vida deve ser encarada como um dos pilares do tratamento, mas, infelizmente, a taxa de recorrência no reganho de peso (efeito sanfona) é bastante alta. A taxa de pacientes, por exemplo, que passaram pelo tratamento de obesidade considerado o mais eficaz na atualidade, a cirurgia bariátrica, e que recuperam peso cinco anos após o procedimento, é mais elevada entre os que não mudaram o estilo de vida.

Pesquisas recentes denotam que as causas e fatores relacionados ao estilo de vida influem profundamente na evolução ou não da obesidade. Uma visão sucinta sobre essas pesquisas revela, entre outros estudos, que dormir bem diminui a chance de ser obeso ou diabético em quase 40%.

Em outra análise, observou-se que alterações em núcleos cerebrais, têm sido detectados, por meio de ressonância magnética, como causadores de aumento de apetite em pessoas obesas. Novos hormônios gástricos e intestinais também tem sido relacionados ao aumento de apetite e à obesidade.

 E, fechando o voo panorâmico pelos estudos em andamento, verificaram-se anomalias patológicas na flora intestinal de pessoas com excesso de peso.

Prevenção

Passou-se o tempo em que a obesidade era quase uma exclusividade das nações mais desenvolvidas. A alimentação mais barata baseada em carboidratos estendeu as fronteiras da obesidade às regiões mais subdesenvolvidas do planeta e a epidemia atinge todas as classes sociais, com maior prejuízo para os mais pobres.

Alimentos saudáveis (frutas, verduras, peixes etc.) são mais caros, assim como as novas medicações para tratar a obesidade tem um custo inacessível para quem ganha pouco. Além disso, as restrições de ordem econômica ainda podem impedir a prática de atividades físicas em academias de ginástica.

Por outro lado, o excesso de horas de trabalho atinge todos os níveis socioeconômicos, quer seja pela necessidade ou pela cultura materialista que estamos imersos, consumindo o tempo que poderia ser destinado à prática de exercícios físicos. Novos métodos, alimentação saudável e ginástica de baixos custos são preponderantes para inclusão da população de baixa renda no tratamento da obesidade.

Por mais incrível que pareça, a educação alimentar tem início na vida intra uterina, pois o que a mãe come influi diretamente no peso e nos hábitos alimentares das crianças após o nascimento.

Você não deve se deixar levar por publicações não científicas veiculadas na internet. Procure seu médico, pois ele fornecerá informações seguras e indicará o tratamento adequado ao seu perfil.

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