logo

BrazilHealth
Fazer login
Saiba as vantagens e desvantagens da quimioterapia

Dr. Fernando Maluf, Oncologia (clínico)
Publicado em 02/10/2017 - Atualizado em 11/10/2017


 

O que é quimioterapia?

Trata-se do método que utiliza compostos químicos (os quimioterápicos) no tratamento de doenças.

Atualmente, há diversas medicações dotadas de atividade antitumoral. Elas podem ser empregadas isoladamente (monoquimioterapia) ou em diversas associações com outros agentes quimioterápicos (poliquimioterapia). Além disso, a quimioterapia pode ser usada em conjunto com outros tipos de medicações contra o câncer, como os anticorpos (trastuzumabe, pertuzumabe).

O que significa o termo quimioterapia adjuvante?

Um tratamento é chamado de adjuvante quando é feito para aumentar as chances de cura após um tratamento principal, em geral, a cirurgia. Além da quimioterapia adjuvante, existem outras formas de tratamentos adjuvantes usados para complementar o efeito da cirurgia, tais como a radioterapia, a hormonioterapia e as drogas que bloqueiam o HER-2.

Por que a quimioterapia adjuvante é indicada?

A quimioterapia adjuvante é administrada com o objetivo de destruir focos microscópicos de células cancerosas que ainda possam persistir em algum lugar do organismo, mas que não sejam detectáveis por exames de sangue ou de imagem.

O que leva o médico a indicar a quimioterapia adjuvante?

O risco da paciente de apresentar focos microscópicos é estimado com base no quadro clínico e nas características do tumor. Com base nessas informações, o médico faz uma estimativa do risco, e decide se há ou não indicação de uma ou mais modalidades de tratamento adjuvante.

A maior dificuldade do médico é saber que pacientes terão esse benefício pela quimioterapia, uma vez que o benefício só será visto numa porcentagem dos casos. Em outras palavras, a quimioterapia adjuvante não beneficia todas as pacientes que a recebem. Por isso, o médico deve indicar a quimioterapia para todas as pacientes com certo risco de recidiva, porque ainda não há métodos que possibilitem saber com certeza quem são as pacientes que ficarão curadas justamente por terem recebido a quimioterapia adjuvante.

Como a quimioterapia é um tratamento caro e com muitos efeitos colaterais, a adjuvância só deve ser indicada depois da análise criteriosa da relação custo/benefício.

O que significa o termo quimioterapia neoadjuvante?

Um tratamento é chamado neoadjuvante quando é administrado antes de um tratamento principal, em geral a cirurgia ou a radioterapia.

Quando a quimioterapia neoadjuvante é indicada?

No caso do câncer de mama, a grande vantagem do tratamento neoadjuvante é reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia, para que se possa evitar a mastectomia. 

A quimioterapia neoadjuvante também possibilita avaliar se o tumor é ou não sensível aos agentes quimioterápicos utilizados. No caso das pacientes com câncer de mama tratadas com quimioterapia neoadjuvante, o risco de recidiva irá depender do achado do patologista, na ocasião da cirurgia. O tratamento neoadjuvante também é útil em mulheres com tumores muito agressivos, associados ao grande risco de metástases já no diagnóstico.

Quando a quimioterapia na doença metastática é indicada?

A quimioterapia na doença metastática é indicada em uma das quatro situações seguintes:

• Sintomas severos causados pelo câncer, como falta de ar, icterícia (pele e mucosas amareladas) por envolvimento do fígado, dor óssea severa, compressão de nervos pelo tumor;

• Quando o câncer envolve órgãos vitais, como os pulmões, fígado, cérebro;

• Quando o tumor não se nutre de hormônios, ou seja, não apresenta nem receptores de estrógeno, nem de progesterona em suas células;

• Quando o tumor apresenta o receptor chamado HER-2 (que significa Human Epidermal Receptor).

Quais são os quimioterápicos mais utilizados no tratamento do câncer de mama localizado?

Os medicamentos mais utilizados são a doxorrubicina, a ciclofosfamida, o paclitaxel e o docetaxel. Em algumas situações, como em tumores que não expressam receptores hormonais e o HER-2 (também chamados de tumores triplo-negativos), ou em tumores com mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2, pode ser utilizada a carboplatina. Esquemas de tratamentos mais antigos incluem medicamentos como metotrexato e 5-fluoruracila, ainda usados em casos selecionados.


Quais são os efeitos colaterais mais comuns dos quimioterápicos e como podem ser prevenidos?

Náuseas e vômitos

A maioria dos quimioterápicos pode causar náuseas e vômitos. Entre os medicamentos utilizados no tratamento do câncer de mama, os que mais causam tais efeitos são a ciclofosfamida, a cisplatina, o docetaxel e a doxorrubicina.

Em geral, os sintomas surgem poucos dias depois da administração de cada ciclo. No entanto, há remédios eficazes para tratar esses sintomas, e eles podem ser usados preventivamente. Além disso, há cuidados preventivos que ajudam a evitar os efeitos indesejados.

• Procurar alimentar-se a cada três horas. Evitar a sensação de fome, que piora a náusea.

• Consumir gengibre com frequência. Estudo americano observou uma redução de 40% da sensação de náusea após a administração do equivalente a 2,5 mg de gengibre em pó antes e depois de sessões de quimioterapia.

• Evitar o consumo de alimentos fritos, empanados, gordurosos, muito doces, condimentados ou com odor muito forte.

• Preferir alimentos mais secos, como biscoitos, torradas, cereais, pão e casquinhas integrais.

• Evitar a ingestão de líquidos durante a refeição. Ingeri-los nos intervalos, em quantidades pequenas e com muita frequência. Eles devem estar gelados ou na temperatura ambiente, mas nunca quentes.

• Evitar deitar-se após as refeições, pois a digestão pode ser prejudicada. Permanecer sentada por pelo menos uma hora após as refeições.

Diarreia

As medidas úteis em caso de diarreia estão detalhadas a seguir:

• Ingerir dois litros ou mais de líquidos ao dia, para repor as perdas (água de coco natural, chás);

• Evitar a ingestão de bebidas gasosas, como água com gás ou refrigerantes;

• Evitar o consumo de alimentos gordurosos, fritos, condimentados ou muito doces;

• Evitar o consumo de alimentos crus, frutas com a casca e cereais integrais ricos em fibras, como linhaça, chia, quinua e aveia;

• Evitar o consumo de leite de vaca e seus derivados (queijo, sorvete, molhos cremosos);

• Priorizar o consumo de frutas obstipantes, como maçã e pera sem casca, banana e goiaba;

• Evitar o consumo de arroz integral e de leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), priorizando vegetais como batata-inglesa, chuchu, inhame, cará, batata-salsa, cenoura cozida.

Constipação

Alguns quimioterápicos, como a vinorelbina, assim como as medicações contra a náusea, podem causar constipação. Há vários medicamentos bastante eficazes para tratar esse sintoma, e eles podem ser usados preventivamente para evitar que os sintomas surjam caso haja um antecedente de constipação.

As medidas preventivas estão detalhadas a seguir:

• Ingerir um mínimo de dois litros de líquidos ao dia (água, água de coco natural ou suco de frutas);

• Aumentar o consumo de fibras na dieta: arroz integral, cereais integrais, frutas secas, frutas laxativas (mamão, laranja e tangerina com bagaço, ameixa seca, caqui, manga, figo e kiwi), vegetais folhosos (chicória, agrião, rúcula, espinafre, couve, brócolis), chia, linhaça, farinha de coco e sementes oleaginosas (castanhas e nozes);

• Incluir uma colher de sopa de azeite de oliva extravirgem cru ou óleo de coco em saladas ou preparações prontas;

• Procurar praticar exercícios físicos regulares, de acordo com a orientação médica.

Infecções

Pacientes com câncer de mama em tratamento quimioterápico correm maior risco de contrair infecções por bactérias, fungos ou vírus, pelos seguintes motivos:

• A quimioterapia no combate ao câncer de mama age sobre as células da medula óssea, que são encarregadas de produzir os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa imunológica.

• Quando os glóbulos brancos caem, o paciente fica, portanto, mais susceptível às infecções.

• Falta de sono, dieta inadequada, estresse, fadiga, efeitos colaterais do tratamento e a própria evolução do câncer enfraquecem o sistema imunológico.

A maioria dos quimioterápicos (em algum grau) aumentam o risco de desenvolver infecções.

Em caso de suspeita de depressão imunológica, associada ou não ao tratamento, é preciso:

• Lavar as mãos com água e sabão, sobretudo antes de manipular alimentos, depois de usar o banheiro e ao chegar à residência. Peça a seus familiares que façam o mesmo. A maioria das infecções é transmitida pelas mãos.

• Tomar banho todos os dias e aplicar um creme hidratante para evitar o ressecamento da pele, porque a pele seca fica mais suscetível a infecções.

• Evitar aglomerações.

• Não compartilhar talheres, copos, pratos ou escovas de dente com ninguém – nem com pessoas da família.

• Não manipular lixo ou dejetos de animais domésticos.

• Ficar longe de pessoas gripadas ou resfriadas, e evitar visitas a hospitais.

• Tomar bastante líquido, seguir uma dieta saudável e procurar dormir o número de horas que seu corpo necessitar.

• Não comer frutas e verduras cruas, nem manipular carne crua.

• Ter cuidado para não fazer cortes na pele. Não espremer espinhas ou cravos em nenhum lugar do corpo.

• Calçar sapatos confortáveis, só escovar os dentes com escovas macias e usar luvas para proteger as mãos durante os trabalhos domésticos que podem causar cortes e esfoladuras.

Perda de apetite

São múltiplas as causas de perda de apetite no paciente com câncer: alterações do metabolismo, náuseas, vômitos, boca seca, dificuldade para engolir, efeitos colaterais da quimioterapia e uso de sedativos, entre outras. Curiosamente, em poucos pacientes, por algum mecanismo desconhecido, ocorre o oposto: aumento de apetite e ganho de peso. As medidas úteis em caso de perda de apetite estão detalhadas a seguir:

• Consumir alimentos nutritivos e com grande densidade calórica, como abacate, óleo de coco, castanhas, nozes, açaí e azeite de oliva;

• Na impossibilidade da ingestão de alimentos sólidos, priorizar preparações mais líquidas, como sucos, sopas cremosas, vitaminas e iogurtes;

• Enriquecer preparações e vitaminas com cereais, como linhaça, aveia, quinua, amaranto e chia;

• Procurar alimentar-se várias vezes ao dia (de três em três horas), por meio de pequenas porções;

• Evitar ingerir líquidos nas refeições (a menos em casos de boca seca ou dificuldade para engolir). O ideal é fazê-lo 30 minutos antes ou depois das refeições principais.

Fadiga

A fadiga associada ao câncer se caracteriza pela sensação persistente de cansaço e exaustão, mesmo quando o esforço físico é mínimo, como durante o banho, ao andar do quarto até a sala ou subir dois ou três degraus. Pode-se dizer que a fadiga é o efeito colateral mais comum dos tratamentos contra o câncer de mama, sendo um sintoma que também pode estar associado à própria doença.

As seguintes medidas podem ser úteis para combatê-la:

• Andar 15 a 30 minutos por dia.

• Reduzir as atividades domésticas ou no trabalho.

• Escolher o período do dia de maior disposição para fazer as tarefas que não podem ser adiadas.

• Dormir oito horas por dia e fazer pequenos cochilos no meio do dia.

• Evitar ingerir bebidas alcoólicas e consumir refeições pesadas pelo menos duas horas antes de ir para a cama.

• Não ver TV na cama. Procurar ler ou ouvir música sob a luz de um abajur antes de deitar.

Lesões na mucosa da boca (mucosites)

Mucosites são inflamações da mucosa da boca, que podem provocar ulcerações, desconforto e dor forte. A melhor maneira de lidar com as mucosites é prevenilas ou, pelo menos, tratá-las cedo. A maioria dos quimioterápicos pode causar mucosite. Dos quimioterápicos usados em câncer de mama, os que mais podem ocasionar esse efeito colateral são a capecitabina, a 5-fluoruracila, a doxorrubicina, o docetaxel e o paclitaxel.

As medidas úteis em caso de mucosite estão detalhadas a seguir:

• Evitar o consumo de alimentos quentes, picantes e/ou salgados;

• Consumir preferencialmente alimentos macios ou pastosos, como sopas cremosas, purês, pães macios, suflês, macarrão, iogurte, ovos, creme de frutas.

Se necessário, liquidificar os alimentos (incluindo as carnes) para facilitar a deglutição;

• Evitar alimentos duros e secos, como torradas, biscoitos, granola e vegetais crus;

• Evitar alimentos salgados, frutas cítricas ou ácidas (laranja, limão, lima, acerola, maracujá, abacaxi), picles, vinagre, alimentos condimentados e bebidas alcoólicas ou gasosas, que podem causar irritação da mucosa oral.

• Evitar cigarro e alimentos ricos em cafeína (café, chá-preto, mate);

• Preferir os alimentos à temperatura ambiente. Alimentos muito quentes ou muito gelados podem causar desconforto;

• Se necessário, utilizar um canudo para tomar líquidos;

• Utilizar uma escova de dente macia e fazer uma boa higiene bucal.

Queda de cabelo (alopecia)

Alguns quimioterápicos contra o câncer de mama atacam as células dos folículos responsáveis pelo crescimento do pelos.

A queda de cabelo costuma surgir duas ou três semanas depois de iniciado o tratamento e tende a progredir com a repetição dos ciclos. O cabelo recomeça a crescer um a dois meses depois de encerrado o tratamento. Em seis meses a um ano, voltará ao normal.

Alguns quimioterápicos podem causar queda de cabelo. Dos quimioterápicos usados em câncer de mama, os que mais podem ocasionar esse efeito colateral são a doxorrubicina, o docetaxel, o paclitaxel. A eribulina, a ciclofosfamida e o irinotecano podem ocasionar queda de cabelo em torno de 50% dos casos.

A seguir, algumas dicas para lidar com a queda de cabelo:

• Cortar o cabelo bem curto antes de iniciar o tratamento. Assim, você evitará mudanças mais radicais na aparência quando os cabelos caírem e recuperará mais rapidamente a imagem anterior quando eles crescerem.

• Usar escovas mais delicadas e xampus menos agressivos, como aqueles indicados para crianças.

• Evitar aplicar produtos químicos que possam agredir o couro cabeludo.

• Não usar secador muito quente.

• Usar protetor solar e chapéu, boné ou lenço para proteger o couro cabeludo.

• Se for raspar a cabeça, usar barbeador elétrico, jamais lâmina de barbear.

De alguns anos para cá, alguns centros passaram a dispor de tocas, que gelam o couro cabeludo reduzindo assim o aporte da quimioterapia para o folículo piloso e, consequentemente, a queda de cabelo.

Anemia

Quando o número de glóbulos vermelhos diminui muito, os tecidos não recebem oxigênio suficiente para exercer suas funções – isto é a anemia. Os glóbulos vermelhos são produzidos na medula óssea, sob o comando de um hormônio liberado pelos rins (eritropoietina). Todos os quimioterápicos (em algum grau) aumentam o risco de anemia.

A evolução do câncer e o próprio tratamento podem causar anemia através de vários mecanismos:

• Ação tóxica da quimioterapia sobre as células da medula óssea.

• Inflamação causada pelo câncer que resulta em anemia.

• Invasão das células cancerosas na medula óssea.

• Subnutrição, que leva às deficiências de vitamina B12, ferro e ácido fólico.

• Sangramentos.

Os sintomas da queda drástica de glóbulos vermelhos são os seguintes:

• Cansaço extremo, fadiga e fraqueza muscular;

• Taquicardia e falta de ar aos esforços;

• Palidez, tonturas, sensação de desmaio e dificuldade de concentração;

• Dor de cabeça e sensação de “cabeça oca”;

• Dificuldade para aquecer o corpo;

• Insônia.

A suspeita ocorre quando há evidência de palidez da pele e das mucosas. A confirmação vem através do exame de sangue (hemograma). A anemia pode ser tratada com transfusões de glóbulos vermelhos ou com a administração do hormônio eritropoietina. Se a causa for deficiência de vitamina B12, ferro ou ácido fólico, indica-se a reposição desses micronutrientes. Nesses casos, recomenda-se a inclusão de alimentos ricos em ferro (carne vermelha, feijão, frutas, brócolis, pães e cereais enriquecidos) e ácido fólico (aspargo, brócolis, espinafre, cereais e pães enriquecidos).

Fonte: BUZAID, Antonio Carlos. MALUF, Fernando. Vencer o Câncer de Mama. Sao Paulo: Dendrix, 2015.

BrazilHealth
Obesidade e Cirurgia Bariátrica - Dr. Alexander Morrell
Hoje, aproximadamente 6oo milhões de pessoas no mundo são obesas. Destas, quase 30 milhões somente n...

Dos transtornos alimentares à realidade - Dr. Maurício Hirata
A divulgação de padrões comportamentais e estéticos irreais pelas mídias sociais tem sido uma das pr...

Preocupações com a saúde sexual - Editorial
Os problemas sexuais são muito comuns, mas muitas vezes somos influenciados por uma imagem exagerada...

Diabetes: Mitos e Verdades - Editorial
Muito se lê e ouve falar sobre a diabetes e as vezes não sabemos o que é verdadeiro e o que falso. A...

Como o diabético pode ter melhor qualidade de Vida - Dr. Maurício Hirata
Há 30 anos o rótulo ‘Diabetes’ era praticamente uma sentença de morte lenta e dolorosa. Mas hoje em ...

BrazilHealth