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Ataque Cardíaco ou Parada Cardíaca: O QUE FAZER?

Dra. Denise Hachul, Cardiologia
Publicado em 15/09/2017 - Atualizado em 16/11/2018



O coração é um órgão vital. Constituído basicamente por um músculo semelhante aos músculos que recobrem o esqueleto, é dividido em quatro câmaras - dois átrios e dois ventrículos, contém quatro válvulas e é alimentado por uma rede de vasos sanguíneos, as chamadas artérias coronárias.

Tem como função o bombeamento do sangue venoso, não oxigenado,  para os pulmões, aonde ocorre a troca do gás carbônico pelo oxigênio. O sangue, então  oxigenado, volta para o coração e é bombeado para o cérebro e todo o organismo, garantindo a sua vitalidade.

O coração também dispõe de um complexo sistema elétrico, que determina seu ritmo e frequência de contrações (ou batimentos) por minuto.

O adequado funcionamento do coração depende da integridade do seu sistema elétrico, do seu músculo e do bom funcionamento de suas válvulas. Para isso, deve receber o suprimento de sangue oxigenado e nutrientes necessários, por meio de artérias coronárias.  

O sistema elétrico cardíaco é formado por um grupo de células com características especiais, que geram impulsos elétricos, conhecido como marcapasso natural ou nó sinusal. Essas células conectam-se a uma rede, que se espalha pelo músculo cardíaco, propagando o impulso elétrico e promovendo sua contração. A contração dos átrios e dos ventrículos deve obedecer a um sincronismo determinado pelas propriedades inerentes ao sistema elétrico, para que haja impulsão do sangue sempre para frente.  

O nosso marcapasso, ou nó sinusal, recebe comandos cerebrais  e estímulos ambientais. Esses comandos modulam a frequência dos batimentos cardíacos, com o objetivo de adaptar a circulação sanguínea às necessidades do nosso organismo, naquele determinado momento.

Qualquer distúrbio na geração, na condução, ou na frequência dos batimentos cardíacos é chamado de Arritmia.

Para a maioria da população normal, durante atividades diárias habituais, a  frequência cardíaca varia de 60 a 100 batimentos por minuto. Mas, esses limites podem ser ultrapassados sem que isso signifique doença e nem cause sintomas.

Quando estamos dormindo, por exemplo, nossa frequência cardíaca tende a ser mais baixa. Quando nos submetemos a exercícios físicos ou vivenciamos estresses emocionais, a frequência cardíaca tende a se elevar, para suprir as maiores necessidades de oxigênio do nosso corpo.  

Indivíduos bem condicionados fisicamente, especialmente atletas profissionais, costumam ser mais bradicárdicos, ou seja, sua frequência cardíaca tende a ser mais lenta, pela adaptação do coração ao exercício repetitivo. Essa situação é considerada normal.  

No entanto, Bradicardias podem ocorrer em decorrência de defeitos do sistema elétrico do coração e, nesse caso, constituem um subgrupo das Arritmias Cardíacas, podendo provocar tonteiras e desmaios.

Chamamos de Taquicardias,  as acelerações do coração. Podem ocorrer dentro de um contexto de normalidade do organismo (durante exercícios ou emoções), ou em situações inusitadas, em repouso, compondo nesse caso, o outro subgrupo das Arritmias Cardíacas.  Existem outros tipos de arritmias, caracterizadas por irregularidades dos batimentos, ou seja, quando estes não obedecem o compasso adequado.  

Entre as várias arritmias existentes, muitas são benignas e podem ser controladas com medicamentos ou tratadas definitivamente por cauterizações dos seus focos com cateteres endovenosos (Ablação por cateter). Entretanto, há arritmias potencialmente fatais.

ATAQUE CARDÍACO:

O termo “Ataque Cardíaco”, na língua inglesa “Heart Attack”, geralmente refere-se à ocorrência do Infarto do Miocárdio.

O QUE É:

O infarto é o resultado da interrupção do fluxo sanguíneo e, portanto, da oferta de oxigênio para uma determinada região do músculo cardíaco (miocárdio).

Sua pior consequência é a necrose (morte) do músculo, que se transforma em cicatriz, com perda da função de contração da área irrigada pela coronária obstruída. Isso ocorre quando o diagnóstico não é reconhecido e o tratamento não é instituído precocemente. 

A obstrução das artérias é lenta e progressiva durante a vida. Ocorre por depósito de cálcio e colesterol no interior das mesmas,  diminuindo gradativamente seu diâmetro interno, até que essas placas se rompem, induzindo coagulação sanguínea em seu interior e causando entupimento total da artéria.  

FATORES DE RISCO:

Os principais fatores de risco para doença coronária relacionam-se à herança genética e aos maus hábitos de vida. São eles o Diabetes Mellitus, a Hipertensão Arterial a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo, alimentação inadequada, altos níveis sanguíneos de colesterol e triglicérides e o estresse emocional exagerado.

SINTOMAS:

Os sintomas relacionados ao Ataque Cardíaco ou Infarto do Miocárdio são: dor, sensação de opressão, formigamento ou desconforto no peito, nos braços ou na mandíbula, falta de ar, náuseas, tonteiras, desconforto na região do estômago, sudorese e mesmo desmaios.

A “Parada Cardíaca” é uma condição distinta do Infarto do Miocárdio. É definida como a perda da função de bombeamento do coração, com interrupção do aporte de sangue e oxigênio para o cérebro e todo o organismo. A partir de quatro minutos sem oxigenação adequada, o cérebro pode sofrer sequelas irreversíveis.

CAUSA:

A Parada Cardíaca, na maioria das vezes, é provocada por Arritmias Cardíacas decorrentes do Infarto do Miocárdio.

A interrupção do fluxo de sangue causa alterações bioquímicas nas células do musculo cardíaco e danos do sistema elétrico do coração pela falta de oxigênio, deflagrando arritmias potencialmente fatais. São as chamadas Fibrilações Ventriculares, responsáveis por 80% das mortes súbitas na população.

Cicatrizes de Infartos do Miocárdio antigos, também podem provocar arritmias potencialmente letais, pois entremeadas ao músculo normal, tornam a condução elétrica heterogênea.

Na fibrilação ventricular, a atividade elétrica do músculo cardíaco é caótica: perde-se o sincronismo entre átrios e ventrículos. As contrações tornam-se ineficientes e o sangue não é mais impulsionado para frente, comprometendo a oxigenação cerebral. A perda da consciência, ou desmaio, ocorre em torno de 7 segundos após interrupção do fluxo sanguíneo cerebral.

Se um indivíduo não for atendido imediatamente, com manobras de reanimação cardiopulmonar (massagem cardíaca e uso do desfibrilador externo automático), a parada cardíaca pode ser irreversível,  causando a Morte Súbita

A Morte Súbita é a principal causa de morte na população em geral.

O QUE FAZER:

Quando um indivíduo apresenta sinais e sintomas de Infarto do Miocárdio, deve ser encaminhado imediatamente ao hospital, preferencialmente por meio de transporte adequado: ambulância, SAMU ou resgate.

Um eletrocardiograma confirma o diagnóstico, o paciente é medicado e deve ser submetido a uma cinecoronariografia (cateterismo cardíaco).  

Constatada a interrupção total ou quase total da circulação, deve-se proceder a uma angioplastia (desobstrução da artéria com um cateter-balão inflável) e ao implante de stent intracoronário (dispositivo colocado no interior da artéria, que a mantém pérvia). Essas condutas restabelecem a circulação sanguínea, evitando-se a morte das células musculares cardíacas e consequente disfunção permanente da sua contratilidade.

Esses procedimentos devem ser realizados logo após o início dos  sintomas. Passadas 4 horas, dificilmente o músculo será recuperado integralmente.

Em caso de Fibrilação Ventricular ou Parada Cardíaca, manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) devem ser realizadas imediatamente.

Essas manobras compreendem compressões torácicas (massagem cardíaca) na porção inferior do osso esterno, numa frequência de pelo menos 100 batimentos por minuto, de acordo com técnicas normatizadas, para que a circulação do sangue seja eficiente. 

Enquanto um indivíduo inicia as compressões torácicas, outra pessoa deve chamar imediatamente um hospital ou o resgate (telefones: 192/193) e solicitar um Desfibrilador Externo Automático.

Se o socorrista estiver sozinho, deve realizar as compressões torácicas por dois minutos consecutivos, antes de ligar para o resgate. O ideal é que hajam duas ou mais pessoas, revezando-se para que não se cansem.   

Por lei, todos os ambientes com grande circulação de pessoas, como aeroportos, parques públicos, clubes, empresas, escritórios, condomínios, escolas, supermercados, shopping centers, universidades, academias de ginástica, estádios esportivos, entre outros, devem dispor de um Desfibrilador Externo Automático.

O maior número possível de pessoas devem ser capacitadas a realizar manobras de reanimação cardiopulmonar e manusear o desfibrilador automático, antes da chegada dos socorristas profissionais. Diversos cursos são oferecidos em nosso meio, para a capacitação de profissionais da saúde e de leigos. 

Em cada minuto sem atendimento adequado, perde-se em 10% a chance de sobrevida de um indivíduo que sofre uma parada cardíaca.

Em países desenvolvidos, cursos de reanimação cardiopulmonar fazem parte da grade curricular escolar de adolescentes e desfibriladores externos estão disponíveis em áreas estratégicas, de acordo com a legislação.  

Portanto, não somente profissionais de saúde devem ser instruídos sobre como agir em situações de emergência. A maioria das ocorrências médicas acontece em ambiente domiciliar ou de trabalho.  Quanto maior o número de pessoas capacitadas, maior será a eficiência no atendimento de vítimas de infarto do miocárdico e de parada cardíaca e muitas mortes serão evitadas.

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